Novo presidente do Fed pode enfrentar dificuldades para entregar os cortes de juros desejados por Trump

Panorama: o que está em jogo

Uma pergunta central que surge em Washington e em Wall Street é se, em 2026, Trump conseguiria impor cortes rápidos nas taxas apenas substituindo o chair do Fed. O problema, segundo analistas, não é o presidente da instituição, mas o apoio entre os votantes e a coalizão no FOMC conservadora.

Quem decide, quem executa

Observa-se que o Comitê Federal de Mercado Aberto está dividido de forma incomum quanto a um corte em dezembro, e a medida dificilmente sairia sem que o chair a defendesse. Essa fratura mostra por que um eventual substituto de Trump poderia enfrentar dificuldades similares para obter o respaldo necessário.

A analogia da jogada

O chair pode definir a agenda, mas a comparação com um quarterback que chama uma jogada ilustra bem: o restante do time precisa executar. A história do Fed mostra que o timoneiro não controla tudo sozinho.

Notas históricas

Durante a era Carter, a turbulência foi evidente. Em 1978, poucos meses depois de Carter nomear G. William Miller como chair, Miller ficou em minoria quando o comitê aprovou aumentos de juros contra a sua preferência.

Em março de 1979, o FOMC aprovou outra decisão com divisão, com Miller vencendo por apenas 6 a 4 contra o aumento, apesar da pressão pública de autoridades do Tesouro. Entre os dissidentes estava o presidente do Fed de Nova York, Paul Volcker, que defendia juros mais altos e assumiria a cadeira ainda naquele ano.

Conclusão

O registro mostra tensões internas: um comitê “profundamente dividido” entre inflação e recessão, e uma administração tentando influenciar votos sem sucesso. Em resumo, qualquer novo presidente do Fed que busque cortes rápidos provavelmente enfrentaria a mesma realidade institucional: a influência é real, mas não unilateral.