Müller do BCE: quanto mais longa a guerra, mais provável será que precisemos responder

O Conselho de Governação do BCE tem uma leitura cautelosa: pode ser necessário aguardar a evidência dos efeitos inflacionários de segunda ordem antes de qualquer ajuste na política monetária. Em entrevista ao Econostream, o representante Madis Müller sinalizou essa posição.

Observações

O BCE pode não precisar esperar pelos efeitos de segunda ordem totalmente visíveis para aumentar as taxas. Quando os preços de energia permanecerem elevados por várias semanas, é razoável concluir que efeitos de segunda ordem já estão atravessando a inflação de bens e serviços.

Não seria surpresa se, na próxima reunião de política, os preços da energia já influenciariam mais itens como bens e serviços. Se isso ocorrer, será necessário discutir se isso já justifica uma ação.

Monitoramento atento: o BCE deve acompanhar a situação, examinar os dados que chegam e estar pronto para agir de forma oportuna. Caso decida agir em uma reunião específica, isso não determina automaticamente o próximo passo. Passos graduais costumam reduzir riscos de perturbar os mercados.

Estamos em uma posição melhor hoje para responder do que em 2022. Um novo relatório do mercado de trabalho deverá chegar em abril, com foco no desemprego, no rastreador de salários, nas variações salariais e na inflação mais ampla antes da próxima reunião.

Quanto mais longa for a guerra no Oriente Médio, mais provável é que seja necessária uma resposta.