O mercado de petróleo está ficando sem fôlego

O petróleo entra numa fase em que o cenário global pode mudar rapidamente. Embora os preços recentes tenham subido, não houve recuperação completa após a queda da semana passada, que ganhou impulso com rumores de aumento de produção da OPEP+.

O mercado acabou confirmando que cerca de 137 mil barris por dia devem entrar no mercado no próximo mês, o que sugere que o ritmo de oferta continuará até que os cortes voluntários estejam totalmente implementados — ou até além disso.

Capacidade ociosa e riscos Um gráfico que mostra a capacidade ociosa ajuda a entender esse cenário. A trajetória do petróleo está em uma posição delicada: o piso recente não se sustentou, e houve pressão de venda intradiária hoje e ontem. O suporte em US$60 por barril provavelmente precisará ser testado; se quebrar, poderíamos retornar a extremos vistos em outros momentos de volatilidade.

Apesar da resiliência até aqui, há rumores de que a China pode estar acumulando estoques. Embora isso não dure para sempre, o ambiente pode se deteriorar com uma tendência de alta de preços insustentável a longo prazo, e visões de demanda global sob pressão.

Oportunidades e pressões futuras Um cenário com petróleo a US$55 por barril não parece sustentável. O gasto em exploração já está pressionado, com investimentos globais em torno de US$10 bilhões por ano, e isso tende a piorar com preços baixos. Além disso, a base de petróleo de xisto nos EUA está ficando sem inventário de primeira linha e novos furos caem.

Isso pode criar um período de seca de oferta no final de 2026 ou em 2027, quando o mercado estiver relativamente curto e a OPEC tiver pouca capacidade ociosa. É justamente nessa etapa que o cenário se torna particularmente interessante.