Analista da Commerzbank afirma que a inflação do Japão permanece contida, com o núcleo ainda próximo da meta de 2%. No entanto, ele alerta que um conflito iraniano e custos elevados de energia poderiam levar o BoJ a adiantar o aumento de juros de junho para abril, oferecendo apoio limitado ao iene.
BoJ cauteloso diante de riscos energéticos
A participação da gasolina na inflação da região ainda é menor do que a nacional, o que tende a deixar o impacto no CPI em uma faixa próxima da meta, caso ocorram efeitos de segunda rodada. Se surgirem efeitos adicionais em transporte ou alimentos, o espaço para manobra ficará reduzido, especialmente se o conflito no Irã se alongar.
A inflação ligada aos preços de energia em março foi contida apenas pela persistente desaceleração nos preços de alimentos. Ajustada sazonalmente, a inflação sem energia e sem alimentos frescos subiu 0,18% em março, mantendo-se próxima da meta de 2%. Um eventual efeito de segunda rodada poderia alterar esse equilíbrio.
Prognósticos vindos de Tóquio sugerem que o BoJ continua em boa posição no curto prazo. Um estudo recente do banco indica que a inflação pode estabilizar entre 1,5% e 2%, aproximando-se da meta após anos de inflação baixa. Um aumento temporário nos preços de energia não deve ser dramático para a meta de inflação.
Em síntese, o BoJ pode preferir manter as taxas inalteradas na próxima reunião no fim de abril. Entretanto, se o conflito persistir, é provável que o aumento de juros — antes esperado para junho — seja antecipado para abril. Para o iene, esse movimento certamente traria apenas apoio limitado, pois os impactos negativos do conflito podem superar o impulso dos juros.