Índia: Choque no comércio pesa sobre a rupia, aponta Commerzbank

Analistas do Commerzbank destacam que o déficit comercial da Índia recuou em março pela forte queda das importações, mas alertam que esse alívio pode diminuir com a alta dos preços do petróleo e interrupções nas exportações devido a conflitos no Oriente Médio. O choque afeta parceiros-chave e a rupia também.

Exportações sob pressão de petróleo e conflito

O déficit comercial de março ficou em US$ 20,7 bilhões, menor do que a previsão de US$ 28,5 bilhões e frente aos US$ 27,1 bilhões de fevereiro. O recuo acentuado das importações, refletindo a incerteza global, foi o principal impulsionador desse resultado. Nos próximos meses, o déficit pode se ampliar com o aumento dos preços do petróleo, elevando a fatura de importação. As exportações também devem enfrentar dificuldades devido a interrupções na cadeia de suprimentos provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

As exportações caíram pelo segundo mês consecutivo, com queda de 7,8% na comparação anual, ante -0,8% em fevereiro — a maior desde outubro de 2025. Químicos recuaram 2,0%, farmacêuticos caíram 23,2%, possivelmente pressionados por interrupções no fornecimento de matérias-primas petroquímicas. Já as exportações de eletrônicos caíram 3,3%.

No quesito destinos, as remessas para o Oriente Médio enfrentaram fortes adversidades, com a guerra interrompendo cadeias de suprimentos. Exportações para a Arábia Saudita caíram 45,7% e para os Emirados Árabes Unidos recuaram 61,9%. Em contrapartida, as remessas para a China contribuíram para atenuar a queda geral, subindo 28,1%. Enquanto isso, as remessas para os EUA caíram 21,0% frente ao mesmo período do ano anterior, após forte alta no período anterior.

As importações caíram 6,5% na comparação anual, com recuo acentuado de 35,9% em petróleo ante +9,1% no trimestre anterior, sugerindo potenciais gargalos na oferta de energia com a elevação dos preços globais.

Mesmo com quedas recentes nos preços do petróleo, a rupia permanece sob pressão diante da demanda robusta por dólares e de preços de commodities acima dos níveis pré-conflito. Os fundamentos da rupia continuam desafiados por um déficit comercial em expansão e por um ambiente de risco mais contido para mercados emergentes.