GBP/USD se recupera das mínimas de março enquanto traders aguardam discurso de Trump e NFP

GBP/USD registrou uma boa recuperação na quarta-feira, subindo cerca de 0,6% e voltando a ficar acima de 1,3300, após passar boa parte de março preso nesse nível. O par continua bem aquém das máximas de janeiro, trafegando abaixo das médias móveis exponenciais de 50 dias (cerca de 1,3400) e 200 dias (por volta de 1,3350). Ainda assim, a recuperação desde a mínima de março, próxima de 1,3150, tem fôlego; o RSI estocástico recuou para territórios próximos de sobrecompra, sugerindo que o impulso de curto prazo pode estar esticando-se, mesmo com o viés geral ainda negativo.

Bailey afasta especulações sobre alta de juros

A notícia mais relevante para o risco Sterling veio da entrevista do governador do BoE, Andrew Bailey, à Reuters, que saiu com tom claramente dovish. Bailey disse que os mercados haviam se antecipado na precificação de altas, lembrando que antes da crise no Irã o BoE sinalizava mais cortes de juros em 2026. Ele reconheceu que esse caminho está “fora de questão”, mas foi categórico ao afirmar que pular para expectativas de altas seria prematuro.

JPMorgan reduziu sua projeção para apenas uma alta neste ano, em junho, em vez de duas. Para a libra, os comentários de Bailey são um headwind. Se o BoE reluta em subir os juros, mesmo com as expectativas de inflação no Reino Unido subindo, o diferencial de juros tende a favorecer o dólar.

Dados dos EUA pintam quadro estagflacionário

O relatório de dados de quarta-feira dos EUA veio misto nos detalhes, mas com tom claramente estagflacionário. O PMI de manufatura do ISM ficou em 52,7, marcando o terceiro mês consecutivo de expansão. Contudo, o índice de Preços pagos disparou para 78,3, o maior nível desde a crise da cadeia de suprimentos de 2022, sugerindo que o choque energético está impactando fortemente os custos de insumos nas fábricas. Separadamente, o payrolls da ADP de março ficou em 62 mil e as vendas no varejo de fevereiro mostraram leve melhoria de 0,6% na comparação mensal.

À primeira vista, uma economia resiliente com inflação em alta sinaliza uma orientação hawkish para o Federal Reserve. Em uma aparição na quarta-feira, o discurso do governador Musalem reforçou esse viés, indicando que o banco central não pretende cortar juros com rapidez.

Trump se dirige à nação sobre o Irã

O evento principal da sessão dos EUA é o discurso noturno do presidente Trump, marcado para as 21h (horário de Nova York). A Casa Branca descreve como uma “atualização importante sobre o Irã”, com planos de anunciar um cronograma para reduzir a operação Epic Fury. Trump já sinalizou que espera encerrar o conflito em duas a três semanas e pode considerar um acordo de cessar-fogo se o Irã reabrir o Estreito de Hormuz. Também surgiu a possibilidade de retirada dos EUA da OTAN caso aliados não contribuam para manter o controle do estreito, o que seria um desdobramento geopolítico relevante.

Para o GBP/USD, o discurso é um wildcard. Sinais de desescalada e a reabertura do estreito poderiam favorecer o petróleo mais baixo e reduzir a pressão estagflacionária que afeta ativos de risco, ajudando a libra. Por outro lado, tom de escalada, menção de tropas terrestres ou uma decisão da OTAN potencialmente disruptiva poderia provocar uma fuga para o dólar.

Quinta-feira: pedidos de auxílio e a calmaria antes da tempestade

A agenda de quinta-feira é menos preenchida. Os pedidos de auxílio iniciais nos EUA devem sair em torno de 212 mil, alinhados com a semana anterior. Dados de cortes de empregos de março da Challenger também são esperados, oferecendo mais pistas sobre o mercado de trabalho antes do grande evento de sexta. No Reino Unido, os mercados costumam fechar mais cedo na Sexta-Feira Santa, o que reduz a liquidez do suavemente derivado na sessão da quinta-feira, potencializando movimentos caso Trump surpreenda na noite de quarta.

Sexta-feira: NFP em um mercado fechado

O dado mais relevante da semana, as Nonfarm Payrolls de março, são divulgadas às 12h30 GMT de sexta-feira. O consenso aponta ganho de cerca de 60 mil empregos, uma recuperação em relação ao pior mês de fevereiro. A média de ganhos por hora deve ficar em 0,3% mensal e 3,8% anual, com a taxa de desemprego estável em 4,4%. Importante: EUA e Reino Unido terão mercados acionários e de renda fechados na Sexta-Feira Santa.

O mercado de câmbio permanece aberto, com liquidez reduzida. Mesmo sem o fechamento de ações, é possível que a reação ocorra apenas na segunda-feira, quando os mercados reabrem. Se o NFP vier acima da linha de 100 mil com ganhos salariais firmes, as expectativas de cortes de juros podem recuar e o dólar tende a abrir em alta. Um número fraco pode reacender temores de recessão e levar o Cable a subir acentuadamente. Independentemente disso, manter posições até o fechamento de quinta-feira é arriscado diante do feriado, e o dinheiro inteligente tende a reduzir exposição.

Resumo técnico

A trajetória do GBP/USD aponta recuperação de curto prazo após condições de sobrevenda, mas o quadro fundamental continua desafiador para a libra. Bailey já sinaliza menos complacência com novas altas de juros, o conflito no Irã distorce preços de energia e a inflação, e o fluxo de dados dos EUA, apesar de misto, aponta para pressões inflacionárias persistentes. A região próxima de 1,3350 representa resistência relevante, com necessidade de rompimento acima de 1,3410 para aliviar a pressão e abrir espaço para o próximo objetivo em 1,3490. Suportes imediatos ficam em 1,3260 e 1,3223, com ruptura para 1,3185 abrindo caminho para sinais de reversão mais fortes. Enquanto o preço fica abaixo de 1,3375, os rallies devem encontrar venda, mantendo o risco mais voltado a testes de suportes mais baixos.