A sessão de quinta-feira foi difícil para a libra britânica. O GBP/USD abriu próximo de 1,3300, depreciou ao longo do dia e fechou em torno de 1,3220, com queda de 0,65%. A EMA de 50 dias próxima de 1,3400 e a EMA de 200 dias em torno de 1,3360 permanecem como obstáculos técnicos; o par continua fechando abaixo de ambos. O RSI estocástico está em 73, alto, mas ainda não sobrecomprado, sugerindo espaço para uma extensão da queda antes que os indicadores de momentum sinalizem alerta. Olhando para baixo, não há muita distância entre os níveis atuais e a mínima de 2026, próxima de 1,3080, marcada em meados de março.
Como o GBP/USD passou de cortes para aperto em seis semanas
Vale a pena recuar e ver como a perspectiva para o Banco da Inglaterra (BoE) mudou drasticamente desde o início do conflito no Irã. Em fevereiro, o mercado esperava pelo menos duas quedas de juros para 2026, com uma alta já em março parecendo quase certa. O BoE já havia reduzido a taxa em 150 pontos-base desde agosto de 2024, levando a taxa básica a 3,75%, e a inflação britânica caía em direção à meta de 2%. Em seguida, o fechamento do Estreito de Hormuz, petróleo acima de US$ 100 e mudanças bruscas reorganizaram as probabilidades. Em meados de março, os mercados de swap inverteram completamente, precificando até quatro altas. Esse número caiu para cerca de duas desde então, mas o fato de o mercado ter saído de cortes para aperto em poucas semanas mostra o impacto do choque energético na inflação do Reino Unido. A projeção dos departamentos do BoE indica uma inflação de CPI de 3,5% até o terceiro trimestre de 2026, acima da estimativa pré-guerra de cerca de 2%.
Bailey sinaliza pausa, mas dados podem forçá-lo a repensar
O governador Andrew Bailey tentou acalmar o mercado na terça-feira, dizendo à Reuters que os mercados estavam “se adiantando” demais nas expectativas de alta. A mensagem é clara: o BoE manteve a decisão de março por voto unânime, e a reunião de 30 de abril será uma nova avaliação, não uma conclusão. Porém, Bailey caminha em uma corda bamba. Economistas como Allan Monks (JP Morgan) argumentam que as condições para uma alta em abril podem surgir se os preços de energia permanecerem elevados e as empresas repassarem custos aos consumidores. Sanjay Raja (Deutsche Bank) vai além, sugerindo que os riscos de altas precoces e múltiplas não parecem fora de causa. O Reino Unido é particularmente vulnerável, pois importa boa parte de petróleo e gás, o que aumenta a pressão inflacionária. A Ofgem mantém o teto de tarifas até julho, mas, depois disso, o impacto total dos custos de energia chegará aos bolsos dos consumidores. A dirigente Megan Greene mencionou, nas ata do BoE, que “o risco de persistência da inflação aumentou” devido ao choque de oferta.
Danos técnicos não podem ser ignorados
Do ponto de vista técnico, a queda de quinta-feira mudou o tom da tendência. O GBP/USD ficou concentrado entre 1,3200 e 1,3450 durante a maior parte de março, com a EMA de 200 dias atuando como piso. Esse piso foi rompido. O par fechou mais de 100 pips abaixo da EMA de 200 dias, e as duas médias devem começar a curvar para baixo se o preço permanecer nesses níveis. A faixa de 2026 está bem definida, com o teto em 1,3870 e o piso em 1,3080. Um reteste desse piso representaria mais aproximadamente 140 pips de queda. Abaixo de 1,3080, a próxima zona de interesse aparece apenas entre 1,2950 e 1,3000, referência do fim de 2025. No lado positivo, o fechamento acima da EMA de 200 dias, em torno de 1,3350, seria o primeiro nível a reconquistar para estabilizar o quadro; isso fica a mais de 100 pips acima.
Risco do NFP de sexta-feira e a lacuna no fim de semana longo
O catalisador imediato é o relatório de Nonfarm Payrolls (NFP) dos EUA, com divulgação às 12:30 GMT de sexta-feira. O consenso aponta para cerca de +57 mil empregos, recuperação frente aos -92 mil de fevereiro, e a leitura recente de pedidos de auxílio-desemprego de 202 mil sugere alto risco de viés para o lado positivo. Os mercados de ações dos EUA estarão fechados na Sexta- feira Santa, o que tornará a liquidez menor para todos os pares com dólar, incluindo GBP/USD. Um número forte de NFP provavelmente empurrará o dólar para cima e empurrará GBP/USD em direção às mínimas de março. Uma leitura abaixo do esperado pode oferecer alívio temporário, mas, com o BoE preso entre o choque inflacionário e a economia enfraquecida, a libra não tem um catalisador claro de alta. O panorama mais amplo indica que a libra fica entre um Federal Reserve que não pode cortar e um BoE que não decide entre subir ou não. Até que um dos bancos centrais ceda ou o choque do petróleo se resolva, o caminho de menor resistência para GBP/USD tende a seguir para baixo. A pergunta antes do fim de semana longo não é se o par testará novamente 1,3080, mas se conseguirá se manter nesse nível.
Gráfico diário de GBP/USD
Perguntas Frequentes sobre o Pound Sterling
O Pound Sterling (GBP) é a moeda mais antiga ainda em circulação, emitida pelo Bank of England. É uma das moedas mais negociadas no mundo, representando uma parcela significativa das transações FX. Seus pares-chave incluem GBP/USD (conhecido como “Cable”), GBP/JPY (apelidado de “Dragon”) e EUR/GBP.
A principal força por trás do GBP é a política monetária do BoE. O banco busca manter a inflação estável em torno de 2%. Suas decisões de juros influenciam o custo de crédito: juros mais altos tendem a tornar o Reino Unido mais atrativo para investidores estrangeiros, enquanto cortes podem estimular crescimento quando a inflação está sob controle.
Dados como PIB, PMI de manufatura e serviços, além do emprego, ajudam a entender a saúde da economia e podem guiar a direção do GBP. Uma economia forte pode atrair investimentos e fazer o BoE subir juros, fortalecendo a libra; dados fracos tendem a pressionar a moeda.
O saldo comercial mede a diferença entre exportações e importações. Exportações fortes elevam a demanda pela moeda, fortalecendo-a, enquanto saldos negativos tendem a enfraquecê-la.