Fed: Minutas do FOMC reforçam riscos no caminho de cortes de juros, aponta a UOB

Visão geral Alvin Liew, da UOB, observa que as atas de março do FOMC indicam uma política monetária dos EUA dividida, mas com a maioria dos participantes mais preocupada com o mercado de trabalho do que com a inflação, sugerindo uma inclinação para cortes futuros. A UOB mantém a previsão de pausa até abril, seguida de dois cortes em junho e no terceiro trimestre de 2026, elevando a taxa-alvo dos fundos federais para 3,25% até o fim do ano.

Fed dividido, mas inclinado a cortes

As atas mostraram que os dirigentes estavam divergentes quanto ao rumo futuro das taxas de juros e ressaltaram a importância de manter a política ágil diante das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio.

Alguns membros indicaram que cortes adicionais seriam adequados se a inflação caísse conforme as expectativas, enquanto outros atrasaram o timing por leituras recentes da inflação. Alguns destacaram a necessidade de uma declaração com descrição bilateral, sugerindo a possibilidade de altas no futuro.

A grande maioria dos participantes reconheceu riscos de inflação elevados e riscos de fraqueza no emprego, enquanto a maioria também apontou o conflito no Oriente Médio como fator que amplifica esses riscos. Muitos temem que o prolongamento do conflito possa enfraquecer o mercado de trabalho e justificar cortes, e que preços elevados de energia possam manter a inflação pressionada, até exigir altas para ancorar expectativas.

Mantemos a visão de pausa de curto prazo antes de retomar com dois cortes adicionais em 2026. Esperamos um período de pausa (incluindo o FOMC de abril), seguido por reduções em junho e no terceiro trimestre de 2026, com sinais de fraqueza no mercado de trabalho nos meses seguintes.

Isso levaria a uma taxa terminal de 3,25% para os fundos federais até o fim de 2026, em linha com uma normalização gradual. Contudo, investidores ficarão atentos a riscos de atraso adicional nos cortes ou de maior dificuldade para cortar na segunda metade do ano, caso os preços de energia subam de forma prolongada em decorrência do conflito no Oriente Médio.