O estrategista do BNY, John Velis, projeta que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros inalteradas na reunião de abril do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Segundo ele, o banco central deve oferecer um forward guidance limitado, refletindo as incertezas persistentes em torno da inflação e do conflito no Irã.
Velis observa que o pricing de mercado atualmente não indica movimentos nas taxas até 2027, com as expectativas inflacionárias contidas. Esse cenário pode, eventualmente, dar ao Fed margem para reduzir os juros no final de 2026, caso o mercado de trabalho apresente deterioração em relação ao seu equilíbrio atual de crescimento zero.
Fed em compasso de espera e mercados estáveis
“Não esperamos ações nesta quarta-feira, naquela que provavelmente será a última reunião de Jerome Powell como presidente do FOMC. A incerteza prevalece e o conflito no Irã ainda está longe de uma resolução. O forward guidance também será escasso, dada a impossibilidade de formar visões de alta convicção sobre a trajetória da inflação”, afirma Velis.
A impressão geral é que os participantes do mercado não precificaram uma inflação duradoura decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz. Isso permite que o Fed adote uma postura mais relaxada quanto ao outlook inflacionário de curto prazo. Quando a via marítima for liberada, a expectativa é que essas projeções recuem, oferecendo cobertura para cortes de juros no final de 2026 se o mercado de trabalho enfraquecer.
Quanto à sucessão no comando do Fed, o BNY não acredita que a provável transição para Warsh resulte em mudanças significativas na política monetária no curtíssimo prazo, enquanto o conflito geopolítico persistir. O banco mantém a projeção de dois cortes no quarto trimestre, condicionados à reabertura do Estreito de Ormuz.


