O chefe de Estratégia Macroeconômica de Mercado da BNY, Bob Savage, observa que o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, abriu espaço para um possível aperto do BCE já em abril, caso o aumento dos preços de energia alimentado pela crise no Oriente Médio eleve os riscos inflacionários. Entretanto, com o M1 e o M3 da zona do euro sinalizando liquidez em arrefecimento e dinamismo monetário mais fraco, o euro permanece entre retórica firme das autoridades e dados econômicos mais contidos.
Nagel com postura firme mesmo com dados amornando
O aumento nos preços do petróleo e do gás, somado a interrupções associadas ao fechamento do Estreito de Ormuz, eleva os riscos de alta da inflação para a zona do euro dependente de energia.
Em entrevista, Nagel afirmou que o BCE poderia elevar as taxas já em abril, descrevendo o aperto como “uma opção” caso o incremento nos preços de energia, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, aumente a pressão inflacionária.
Ele acrescentou que os responsáveis pela política teriam dados suficientes até a reunião de 29-30 de abril para decidir se agir ou permanecer inalterado, enfatizando que não se deve descartar o aperto prematuro.
O crescimento do M3 na área do euro desacelerou para 3,0% na comparação anual em fevereiro, frente a 3,2% anterior, enquanto o M1 caiu para 4,8% de 5,2%, sinalizando impulso monetário mais fraco.
Em conjunto, a dinâmica monetária aponta para liquidez mais moderada e um crédito que cresce de forma estável, porém contida, em toda a economia da zona do euro. Ainda não está claro como o conflito poderá influenciar o comportamento de crédito.
