MNB mantém juros na Hungria: Riscos geopolíticos travam cortes no EUR/HUF, diz ING

Analistas do ING, Frantisek Taborsky e Zoltán Homolya, projetam que o banco central da Hungria, o Magyar Nemzeti Bank (MNB), manterá sua taxa básica de juros inalterada em 6,25% ao longo de 2026. Eles argumentam que a incerteza geopolítica contínua, os preços elevados de energia e as vulnerabilidades específicas da Hungria não deixam espaço para cortes nas taxas.

Mesmo com alguns movimentos de mercado favoráveis, a expectativa é que o banco central mantenha uma postura hawkish de “esperar para ver”.

MNB em manutenção prolongada da política monetária

“O nível persistentemente alto de incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sugere que o NBH manterá as taxas de juros inalteradas em 6,25%. Embora a economia esteja melhor posicionada para absorver o impacto de preços de energia mais altos do que em 2022, a persistência da incerteza geopolítica certamente limita a flexibilidade da política monetária”, afirmam os analistas.

Para o ING, um corte nas taxas está fora de questão para abril, sendo esta uma projeção de alta convicção. Espera-se que o banco central adote um tom rígido na tentativa de influenciar a estabilidade do mercado de câmbio (FX), mantendo o par EUR/HUF em níveis mais baixos. A instituição deve demonstrar flexibilidade máxima para projetar uma imagem de força, cautela e paciência aos players do mercado.

Cenário inflacionário e riscos de alta

Com base em um cenário base atualizado para os mercados de energia e para os principais bancos centrais — que se mostra mais pessimista do que o anterior — a previsão é de que a inflação húngara continue a acelerar no restante do ano. A projeção é de uma média de 3,5% no segundo trimestre, subindo acima da banda de tolerância no segundo semestre, com média de 4,3% no último trimestre.

“Dado que os preços de energia permanecem elevados, não vemos atualmente nenhum cenário que indique um corte na taxa de juros este ano”, destaca o relatório. No entanto, o ING alerta que, caso um cenário de estresse se materialize, a inflação poderia superar os 6% no terceiro trimestre, o que forçaria o NBH a elevar os juros.