Segundo a Nordea, o BCE manteve as taxas estáveis, mas deixou claro que está mais disposto a apertar a política monetária caso o aumento nos preços de energia se transmita para a inflação. Um conflito prolongado no Oriente Médio poderia adiantar o aperto para as próximas reuniões, com junho como ponto-chave de decisão.
Guerra, energia e o timing do aumento de juros
O BCE manteve as taxas como era esperado, mas sinaliza prontidão para agir para enfrentar riscos de inflação em alta e para mitigar o impacto negativo no crescimento causado pela guerra. Embora a incerteza tenha aumentado, o risco de aumentos já ocorrerem nas próximas reuniões aumentou significativamente.
Em outras palavras, o BCE acompanha de perto a evolução do conflito e sinais de que a energia mais cara pode contaminar os preços ao consumidor e as expectativas de inflação. A grande questão é se o BCE terá tolerância para esperar sinais de inflação mais ampla ou se um período prolongado de energia elevada será suficiente para disparar um aperto.
Nossa projeção base era de que o BCE não subiria as taxas até o próximo ano. Os riscos para essa projeção aumentaram consideravelmente; a menos que a guerra no Oriente Médio termine nas próximas semanas e os preços de energia caiam, é provável que o primeiro reajuste ocorra mais cedo, possivelmente na reunião de junho.
Os mercados financeiros exibiram mais volatilidade, mas as taxas recuaram um pouco durante a coletiva de imprensa do BCE. Ainda assim, uma alta de 25 pontos-base já está precificada para junho, enquanto total de aproximadamente 60 pontos-base de aperto é esperado até o fim do ano.