ECB: Desafios de precificação de mercado com a postura de Lagarde – ING

Analistas do ING observam que o mercado ainda projeta duas a três altas na taxa básica da ECB para 2026, com as probabilidades de abril permanecendo elevadas. Segundo eles, a instituição precisa equilibrar a dependência de dados com a gestão das expectativas ao longo da curva, tendo o preço do petróleo como variável-chave para o cenário de política monetária.

ECB caminha na corda bamba entre expectativas

O mercado avalia os esforços dos EUA para chegar a um acordo, porém, sem passos concretos, a narrativa de duas a três altas da ECB neste ano fica intacta. Mesmo para abril, a precificação aponta uma probabilidade próxima de 60% de alta. O preço do petróleo continua sendo a variável a acompanhar, sem grandes movimentos desde o início desta semana.

Apesar disso, a precificação de mercado, especialmente para abril, parece agressiva frente à posição de Lagarde, que sinalizou que a ECB não agiria sem informações suficientes e poderia olhar além de um choque de curto prazo, destacando as diferenças em relação a 2022.

Uma reação mais firme por parte da ECB ainda pode ocorrer para conter qualquer espiral de preços na raiz. É isso que o mercado está precificando — em linha com a relativa estabilidade das swaps de inflação de longo prazo. Contudo, o mercado também sinaliza uma reversão parcial, conforme mostrado pela curva de futuros Euribor.

Neste momento, a ECB está em um cenário de equilíbrio entre gerenciar as expectativas do mercado e a dinâmica da curva. Se soar excessivamente dovish, o risco é que o longo prazo se descole da inflação. Se soar hawkish, as preocupações com o crescimento ganham peso.

Em algum ponto, pode ser necessário atender às expectativas do mercado para manter o equilíbrio e ganhar tempo para as decisões de política monetária.