BBH aponta que a imposição de uma força naval dos EUA no Estreito de Hormuz elevou o Brent acima de 100 dólares e, ao mesmo tempo, fortaleceu o dólar, conforme a aversão ao risco retorna. Embora haja um choque energético, a equipe mantém uma visão de baixa convicção de que o pior pode ter ficado para trás e espera que o DXY permaneça entre 96,00 e 100,00 nos próximos meses.
O dólar permanece sustentado dentro de uma faixa ampla
A decisão do governo de adicionar uma camada de bloqueio naval sobre o controle de fato do Irã no Estreito de Hormuz pode prolongar o choque energético e elevar as tensões com a China, importante comprador de petróleo iraniano. Como era de se esperar, o Brent ultrapassou 100 dólares o barril, reacendendo a aversão ao risco nos mercados. As ações e os títulos recuam, enquanto o dólar se mantém firme.
Em linhas gerais, a jogada de Washington parece uma estratégia de negociação para redefinir as condições de acesso ao Hormuz antes que restrições internas nos EUA, como preços da gasolina mais altos e rendimentos da dívida de longo prazo, forcem uma saída diplomática. Paralelamente, o bloqueio corta a receita de exportação de petróleo do Irã e incentiva países que ainda importam energia do Irã — China, Índia, Paquistão e Turquia — a pressionarem Teerã por um acordo.
O choque energético pode não ter acabado, mas seguimos com a visão de baixa convicção de que o pior pode já estar no retrovisor. Caso se confirme, os diferenciais de juros entre os EUA e grandes economias manterão o DXY ancorado dentro da faixa de 96,00 a 100,00 nos próximos meses.
