Dow Jones recobra terreno enquanto Trump sugere discussões sobre o Irã

Desempenho dos principais índices

O Dow Jones Industrial Average (DJIA) operou em alta nesta segunda-feira, recuperando cerca de 415 pontos após uma lenta recuperação de uma queda recente. O S&P 500 subiu 0,5% e o Nasdaq Composite avançou 0,3%. O Dow partiu de uma leitura baixa perto de 45.100 e, ao longo da sessão, chegou a superar 45.600, fechando pouco acima de 45.500. Os três índices vinham de cinco quedas semanais consecutivas, com o Dow e o Nasdaq entrando em território de correção na semana passada.

Trump sinaliza progresso no acordo com o Irã

A recuperação ganhou impulso após uma postagem no Truth Social em que Trump afirmou que os EUA conversam com o que ele chamou de um regime iraniano mais pragmático. O presidente disse que houve avanço significativo, mas alertou que, se o acordo não for fechado em breve e o Estreito de Hormuz não for reaberto de imediato, os EUA poderiam intensificar medidas mirando infraestrutura iraniana, incluindo usinas elétricas, campos de petróleo e a Ilha de Kharg. Novas informações no fim de semana indicaram que Teerã aceitou grande parte de um plano de 15 pontos dos EUA e concordou em permitir a passagem de mais 20 cargueiros paquistaneses com bandeira paquistanesa através do estreito ao longo de dez dias. Em meio à tensão no mercado, qualquer notícia de desescalada é vista como gatilho de alívio.

Preços do petróleo sob foco no Estreito de Hormuz

Ainda que haja otimismo sobre as negociações, os preços do petróleo subiram no início da semana. O Brent ultrapassou US$ 112 por barril e o WTI subiu cerca de 2%, para pouco acima de US$ 102. O Estreito de Hormuz permanece restrito e, mesmo com avanços parciais na reabertura, não houve alívio suficiente para dissipar as preocupações com o suprimento. Mohamed El-Erian, conselheiro-chefe de economia da Allianz, alertou que o choque econômico real viria de faltas físicas, principalmente na Ásia, o que pode encarecer importações e perturbar o abastecimento nos EUA. Ele também destacou a limitação da margem de política, lembrando que os EUA já operam com um déficit de cerca de 6% e questionando quanto espaço políticas públicas teriam para absorver um choque energético prolongado.

Powell mantém tom paciente em Harvard

O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em palestra na Harvard University, disse que o regime de juros atual continua adequado diante das condições econômicas, especialmente com preços de energia elevados. Powell ressaltou que apertar a política monetária agora para enfrentar um choque de petróleo poderia frear a economia após o choque passar, e que o Fed tende a olhar além de picos de preço impulsionados pela oferta. Essas falas reforçam a decisão do FOMC de manter as taxas entre 3,50% e 3,75% na reunião de 18 de março, onde a mediana do dot plot indicou apenas um corte de 25 pontos-base em 2026, e autoridades revisaram a previsão de inflação do consumo pessoal (PCE) para 2,7% (de 2,4% em dezembro).

Miran e Powell: divergência de políticas

A postura paciente de Powell contrasta com a visão do governador Stephen Miran, que também falou na segunda-feira e votou contra as mudanças em todas as reuniões do FOMC desde que foi nomeado, votando a favor de cortes em cada vez. Miran estimou quatro cortes para 2026, bem acima da mediana do comitê, sendo o único dissente na decisão de manter as taxas em 3,5-3,75%. Ele argumenta que a política continua restritiva e que o choque do petróleo não deve alterar o caminho das janelas de juros, afirmando que o banco central não deve moldar a política apenas com base em manchetes de curto prazo. Contudo, reconheceu no dia 25 de março que elevou sua projeção para a meta de juros no fim do ano em 50 pontos-base em resposta a dados de inflação decepcionantes, chegando a uma previsão próxima da neutralidade. Esse cenário evidencia uma divisão entre a maioria cautelosa e uma minoria mais dovish que vê o mercado de trabalho desacelerando mais rapidamente do que os dados de inflação sugerem.

Uma semana de dados de peso antes da Sexta-Feira Santa

Os próximos dias trazem uma agenda carregada, com mercados nos EUA fechados na Sexta-Feira Santa. Na terça-feira chegam o Índice de Confiança do Consumidor da Conference Board para março — a primeira leitura que captura plenamente o impacto da guerra na confiança das famílias — juntamente com o Relatório de Ofertas de Emprego (JOLTS) de fevereiro, com consenso de cerca de 6,87 milhões de vagas abertas. Quarta-feira será o dia mais movimentado, com o Payroll ADP não-agrícola para março esperado em 40 mil, seguido das vendas no varejo de fevereiro, previstas em alta de 0,4% mês a mês. O PMI de manufatura do ISM para março também é divulgado na quarta, com o preço pago projetado em 73,5, sinalizando pressões contínuas de custo. Quinta-feira traz primeiras solicitações de seguro-desemprego, estimadas em 212 mil. Na sexta-feira, o relatório de empregos não-agrícola (NFP) de março do BLS será publicado ao meio-dia GMT, com expectativa de criação de 55 mil empregos, mantendo a inflação de salários em torno de 0,3% mês a mês e a taxa de desemprego estável em 4,4%. Os traders terão o fim de semana de Páscoa para processar os dados antes da reabertura das bolsas na segunda-feira.