O Dow Jones Industrial Average subiu mais de 600 pontos nesta segunda-feira, avançando cerca de 1,5% para passar a marca de 46.000 pontos, com investidores acreditando que o pior da crise com o Irã pode estar próximo do fim. O S&P 500 avançou cerca de 1,4%, enquanto o Nasdaq Composite ganhou aproximadamente 1,6%. As três principais bolsas vinham em território de correção antes da sessão, com o Dow e o Nasdaq aproximadamente 9,8% abaixo de seus recordes até a sexta-feira.
Desescalada entre EUA e Irã impulsiona a recuperação de risco
A sessão foi moldada por uma única postagem no Truth Social: o presidente Trump disse que os EUA e o Irã tiveram conversas “muito boas e produtivas” no fim de semana e que ordenou ao que chamou de Departamento de Guerra adiar todos os ataques contra infraestrutura energética iraniana por cinco dias. Antes da publicação, os futuros previam outra sessão difícil, com o petróleo em alta e as ações pressionadas.
Os contratos futuros do Dow registraram salto inicial de mais de mil pontos, porém o ímpeto freou após a imprensa estatal iraniana negar que houvesse negociações diretas entre Washington e Teerã, retirando parte da euforia. Ainda assim, a leitura geral apontou que a disposição de pausar a escalada monetária foi um sinal relevante, mesmo que um acordo abrangente esteja longe de ser alcançado.
O petróleo despenca com esperanças de cessar-fogo
O complexo petrolífero viveu uma reversão dramática em sessão única, com os contratos de petróleo WTI recuando cerca de 8% para fechar em torno de US$ 91 o barril, após tocar perto de US$ 100 durante o dia. O Brent, referência internacional, caiu mais de 7% para aproximadamente US$ 101, depois de superar US$ 114 na sessão asiática antes do comunicado de Trump. Mesmo com a sessão de queda, os dois benchmarks ainda ficam acima de um terço dos níveis pré-conflito de fevereiro.
O Goldman Sachs elevou as expectativas de preço do petróleo para o curto prazo, prevendo Brent acima de US$ 100 em média até abril, citando o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz, responsável por uma parcela significativa do comércio marítimo mundial de petróleo. A IEA também sinalizou prontidão para um novo reforço de estoques estratégicos, se necessário.
Ações cíclicas lideram a recuperação
Foi um dia clássico de aversão ao risco virando jogo: Caterpillar liderou ganhos no Dow, com avanços superiores a 4%, seguida por 3M e Home Depot, cada uma com alta acima de 3%. Bancos também ganharam fôlego, com quedas das taxas de juros provocando demanda por ativos de risco. Companhias aéreas se destacaram entre as maiores beneficiadas da queda do petróleo, com Delta e United registrando altas expressivas. No setor de tecnologia mega-cap, Tesla teve alta de cerca de 3%, enquanto Nvidia, Amazon e Apple subiram mais de 2%, recebendo alívio após orientações mistas sobre demanda por IA de fornecedores de chips.
As expectativas de cortes de juros continuam a recuar
A Fed manteve as taxas estáveis em 3,50%-3,75% na reunião do FOMC da semana passada, seu segundo hold consecutivo após três cortes de 25 pontos-base no fim de 2025. O dot plot atualizado aponta para apenas um corte para o restante de 2026, menos do que previamente esperado, e o CME FedWatch mostra como o mercado reprecificou rapidamente. A probabilidade de manter as taxas inalteradas até junho subiu para 89%, frente a menos de 38% há um mês, com chances ainda remotas de alta de juros pela primeira vez.
Para o ano, os mercados veem como mais provável que o Fed não realize cortes. O ouro costuma se beneficiar de tensões geopolíticas, mas caiu abaixo de US$ 4.300 em 2026, pressionado pela mudança nas expectativas de juros, já que as taxas mais altas por mais tempo reduzem o apelo do metal que não paga dividendos.
