Resumo da decisão: Em reunião realizada hoje, o Conselho manteve a taxa de juros básica em 3,60%.
Embora a inflação tenha recuado bastante desde o pico de 2022, ela voltou a apresentar alta recentemente. O Conselho afirma que parte do recente avanço da inflação subjacente decorre de fatores temporários e há incerteza sobre a leitura dos dados mensais do CPI, já que é uma nova série de informações.
Ainda assim, os dados apontam sinais de um repique mais amplo da inflação, parte do qual pode ser persistente e exigirá monitoramento cuidadoso.
A atividade econômica continua a se recuperar, com demanda privada fortalecida pelo consumo e pelo investimento. O mercado imobiliário também mostra avanço. Condições financeiras estão mais brandas desde o início do ano, com crédito amplamente disponível para famílias e empresas, e os efeitos das primeiras reduções da taxa ainda não se refletiram plenamente na demanda, preços e salários. Por outro lado, as taxas de juros de curto prazo e os rendimentos de títulos governamentais aumentaram mais recentemente.
Diversos indicadores sugerem que as condições do mercado de trabalho permanecem relativamente apertadas. A taxa de desemprego tem subido pouco a pouco, e o crescimento do emprego desacelerou. Contudo, medidas de subutilização da força de trabalho continuam em níveis baixos; a utilização da capacidade está acima da média de longo prazo; pesquisas com empresas indicam que muitas firmas enfrentam dificuldades para recrutar mão de obra. O crescimento salarial, embora tenha desacelerado desde o pico, ainda mostra ganhos robustos em medidas amplas e os custos unitários de trabalho permanecem elevados.
Há incerteza sobre o cenário doméstico e internacional e sobre o quão restritiva permanece a política monetária. Do lado interno, o impulso econômico tem sido mais forte que o esperado, principalmente no setor privado. Se essa tendência continuar, tende a aumentar a pressão sobre a capacidade produtiva. A incerteza na economia global continua significativa, mas, até agora, não houve impacto relevante no crescimento ou no comércio com os parceiros comerciais da Austrália.
Decisão: os dados recentes indicam riscos para a inflação inclinando-se para o lado positivo, mas ainda é preciso observar por quanto tempo a pressão inflacionária persiste. A demanda privada está se recuperando. As condições do mercado de trabalho ainda parecem um pouco rígidas, mas espera-se uma flexibilização adicional moderada. O Conselho, portanto, julgou apropriado manter uma postura cautelosa, atualizando sua percepção do cenário conforme os dados evoluem.
O Conselho permanecerá atento aos dados, à avaliação de cenário em evolução e aos riscos, orientando suas decisões. Ao fazer isso, acompanhará de perto a trajetória da economia global, os mercados financeiros, a demanda interna e as perspectivas de inflação e do emprego. O objetivo permanece a estabilidade de preços e o pleno emprego, e o Conselho fará o necessário para alcançar esse resultado.
A decisão de hoje foi unânime.