Comparação linha a linha das declarações de outubro e dezembro do Banco do Canadá

Resumo executivo: o Banco do Canadá reduziu a taxa alvo overnight em 0,25 ponto percentual, levando-a a 2,25%, com o Banco Rate em 2,50% e a taxa de depósito em 2,20%.

Contexto global: com a clareza sobre os impactos de ações comerciais dos EUA na inflação e no crescimento, o Banco retomou a prática de apresentar projeções para as principais economias no Monetary Policy Report (MPR). Dado o comércio externo ainda instável e a incerteza elevada, as projeções carregam um intervalo mais amplo de riscos.

Economia mundial: apesar da resistência da economia global à escalada histórica de tarifas, os efeitos ficam mais visíveis. Relações comerciais são reconfiguradas e tensões comerciais contíguas ampliam a incerteza. A projeção do MPR aponta uma desaceleração global de ~3,25% em 2025 para cerca de 3% em 2026 e 2027.

Estados Unidos: a atividade vem forte, impulsionada pelo consumo robusto e por investimentos em IA. Contudo, o crescimento do emprego desacelerou e tarifas pressionaram os preços ao consumidor. A zona do euro desacelera com exportações fracas e demanda interna fraca. Na China, exportações para os EUA caíram, compensadas por outros destinos, porém o investimento empresarial enfraquece. O corte do GST/HST no Canadá adiciona volatilidade. As condições financeiras globais aliviaram desde julho e os preços do petróleo têm se mantido estáveis. O dólar canadense sofreu leve depreciação frente ao dólar americano.

Canadá: a economia recuou 1,6% no segundo trimestre devido à queda de exportações e ao fraco investimento empresarial, com incerteza elevada. O consumo das famílias, porém, avançou. Medidas ligadas a ações comerciais dos EUA afetaram autos, aço, alumínio e madeira, resultando em um crescimento fraco no segundo semestre. O câmbio pode trazer algum suporte conforme exportações e investimento retomam.

Desempenho recente: o PIB do Canadá subiu 2,6% no terceiro trimestre, impulsionado principalmente pela oscilação na demanda interna. O domínio doméstico final deve crescer no quarto trimestre, mas com queda esperada nas exportações líquidas, o que sugere fraca atividade. Espera-se recuperação moderada em 2026, embora a incerteza permaneça elevada.

Mercado de trabalho e inflação: o mercado de trabalho permanece desigual, com sinais de melhoria. Emprego cresceu em setembro, após meses de perdas consideráveis. A taxa de desemprego caiu para 6,5% em novembro, mas setores sensíveis ao comércio seguem fracos. A inflação, medida pelo CPI, ficou em 2,4% em setembro; a inflação subjacente de núcleo permanece próxima a 2,5% a 3%, com a inflação vislumbrando moderar nos próximos meses. A autoridade monetária projeta inflação próxima de 2% no horizonte de projeção.

Política monetária: diante da fraqueza econômica, o Conselho de Governação cortou a taxa básica em 25 pontos-base, buscando manter a inflação ao redor de 2% durante o período de ajuste estrutural. Se o cenário evoluir conforme a projeção de outubro, a taxa atual deve permanecer adequada para sustentar a inflação estável sem frear demais a economia. A incerteza permanece elevada; o BC está pronto para agir conforme novos dados indicarem.

Desafios futuros: o Canadá encara uma transição difícil, com danos estruturais decorrentes de conflitos comerciais que reduzem a capacidade produtiva e elevam custos. O objetivo é preservar a confiança na estabilidade de preços durante esse período de turbulência global.