Futuros do Dow Jones Industrial Average (DJIA) caíram de forma modesta, cerca de 0,5%, na quinta-feira, mas esse recuo não conta a história completa. No ponto mais baixo da sessão, o DJIA chegou a cair mais de 600 pontos, o S&P 500 recuou 1,5% e o Nasdaq Composite caiu 2,2%. Em cerca de uma hora, porém, os três índices reverteram a maior parte da queda e chegaram a ficar no azul por breves momentos antes de os vendedores retornarem antes do fechamento.
O Índice de Volatilidade (VIX) subiu acima de 25, o maior nível em semanas, e com os mercados acionários fechados na sexta-feira em razão da Sexta-Feira Santa, os traders entram no longo fim de semana de Páscoa carregando riscos não resolvidos.
Esperança hoje, medo amanhã
Esse tem sido o padrão dominante nas últimas duas semanas e é extenuante. Na terça, o presidente Trump afirmou a repórteres que esperava que as forças dos EUA deixassem o Irã em duas a três semanas, o que levou a uma virada de altas no mercado. Na quarta, o DJIA subiu mais de 200 pontos depois que Trump publicou que o presidente iraniano havia solicitado um cessar-fogo. O petróleo WTI caiu abaixo de US$ 100 por barril, criando a sensação de que o piso havia sido alcançado. Ainda assim, na fala da noite de quarta, Trump sinalizou que poderia reagir com força caso as tensões continuassem, elevando a incerteza. Na quinta pela manhã, o otimismo inicial ficou para trás, com os mercados asiáticos registrando quedas expressivas e o DJIA futuro apontando para queda de cerca de 600 pontos antes da abertura dos EUA.
A virada do meio‑dia veio de uma manchete pontual: a imprensa estatal do Irã informou que Teerã trabalha com Omã para redigir um protocolo que permitiria a passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Hormuz mediante uma taxa. A notícia foi suficiente para inverter o tom do dia, fazendo o DJIA oscilar entre perdas e ganhos em poucas horas. O S&P 500 voltou a ficar estável e o Nasdaq recuperou parte das perdas, mas o rally não manteve fôlego, e os índices terminaram a sessão com perdas leves.
Analistas destacaram que os investidores têm reagido por impulso, buscando notícias que tragam alívio, mas a incerteza permanece elevada. Alguns dizem que a reabertura do Estreito de Hormuz pode ter impactos além do petróleo, incluindo setores ligados à fabricação de semicondutores.
O petróleo ainda dita o ritmo
Enquanto o Estreito de Hormuz permanecer fechado, os preços do petróleo continuarão a ditar o caminho dos índices. O petróleo WTI subiu quase 8% e chegou perto de US$ 110 por barril, enquanto o Brent avançou aproximadamente 5% para acima de US$ 105. O setor de energia foi o melhor desempenho entre os componentes do S&P 500 no ano, enquanto consumo discricionário foi o pior. Embora ações de cruzeiros, companhias aéreas e varejo sensível ao custo do combustível tenham recuado, o cenário principal é que, até o petróleo se estabilizar, a volatilidade do mercado não diminui.
Rumo ao fim de semana com perguntas sem resposta
Os pedidos de auxílio-desemprego da quinta-feira vieram fortes, com 202 mil solicitações, abaixo da previsão de 212 mil, a leitura mais baixa em quase dois anos. Sob condições normais, isso seria um sinal relevante para o relatório de empregos não-agrícolas (NFP) de sexta, mas os mercados ficam fechados na Sexta-Feira Santa, o que significa que apenas o mercado de títulos reage em tempo real aos números de emprego. A leitura de emprego perde espaço diante do ciclo geopolítico atual.
A principal dúvida para a próxima semana é se o protocolo Iran‑Omã para o Estreito de Hormuz ganha tração ou fica pelo caminho, e se o cronograma de duas a três semanas de Trump realmente se materializa. Por ora, os traders de futuros do Dow devem esperar mais do mesmo: oscilações movidas a manchetes, convicção fraca e um mercado que ainda não decide se a guerra está chegando ao fim ou apenas começando.
Dow Jones — gráfico diário
