CAD: números de crescimento revelam uma visão de retrovisor – Commerzbank

Resumo: no Canadá, o segundo trimestre apontou uma contração substancial da economia, com queda de 1,6% na comparação trimestral (valor anualizado). Isso ficou aquém das expectativas de analistas consultados pela Bloomberg, mesmo com o Banco do Canadá prevendo uma evolução parecida. No entanto, é preciso olhar com cuidado: o consumo privado avançou consideravelmente, enquanto os investimentos foram fortemente reduzidos e as exportações recuaram de forma acentuada (aproximadamente -27% anualizado), observa o analista de FX da Commerzbank.

CAD mais atrativo frente ao USD

Apesar dos números, fica claro que a economia real canadense continua bastante exposta às pressões da guerra comercial dos EUA. Indicadores de sentimento se recuperam lentamente de uma queda histórica na primavera. Por exemplo, os PMI ainda operam abaixo do nível neutro de 50, e o PMI de serviços mostrou recuperação recente. Observa-se ainda um enfraquecimento do mercado de trabalho há vários meses.

Por que o CAD não recuou mais? Em geral, números de crescimento refletem uma visão retrospectiva. Dadas as fraquezas nos indicadores de sentimento no segundo trimestre e o cenário traçado pelo banco central, é improvável que os dados tenham alterado significativamente o panorama. O banco central está próximo de finalizar o ciclo de cortes de juros; um novo corte ainda é provável, mas não há expectativa de ampliações expansionistas relevantes.

O que esperar dos próximos dados: indicadores para agosto, como PMIs e o relatório do mercado de trabalho, devem determinar o humor para o CAD. Se mostrarem fraqueza contínua no terceiro trimestre, pode sinalizar risco. Por outro lado, consumo privado sólido e indicadores de sentimento pontualmente mais estáveis ajudam a sustentar o CAD. Além disso, os reajustes de tarifas dos EUA no início de agosto não foram significativos o bastante para mudar esse cenário. Observa-se ainda que a taxa de juros real canadense tem se descolado da sua contraparte americana nos últimos meses; cortes mais rápidos pelo Fed, com maior risco de inflação nos EUA, podem reverter essa tendência, tornando o CAD mais atrativo frente ao dólar.