Um relatório divulgado pelo Banco do Japão (BoJ) nesta quinta-feira revelou que o impacto do choque causado pela fraqueza do Iene japonês sobre a inflação é superior ao provocado por um choque nos preços do petróleo. A depreciação do JPY impulsiona os preços de uma ampla gama de bens e serviços, conferindo um estímulo maior à inflação ao consumidor, excluindo alimentos frescos e energia.
Principais destaques do relatório
- O impacto do choque do Iene fraco na inflação supera o do choque do petróleo.
- A desvalorização cambial eleva preços de diversos setores, impactando o núcleo da inflação de forma mais persistente.
- Altas no petróleo pressionam itens específicos de energia, mas têm efeito limitado no CPI que exclui alimentos frescos e energia.
- O choque do Iene expande salários e margens de lucro, elevando o deflator do PIB, enquanto o choque energético comprime esses indicadores.
Cenários de risco e projeções
Sob um cenário de risco que projeta preços de petróleo elevados, Iene ainda mais fraco e queda nas bolsas, as previsões para o PIB real seriam de 0,1 a 0,2 ponto percentual menores entre os anos fiscais de 2026 e 2028, em comparação com as projeções base do BoJ.
Nesse contexto, o núcleo da inflação ao consumidor poderia ultrapassar significativamente as metas, pairando em torno de 3% nos anos fiscais de 2026 e 2027. Tal overshoot poderia elevar as expectativas inflacionárias de médio e longo prazo.
O BoJ afirmou que monitorará os fatores de risco com rigor redobrado, dado que o crescimento e a evolução dos preços podem desviar-se bruscamente das projeções iniciais, dependendo dos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Reação do mercado
No momento da redação, o par USD/JPY operava em leve alta de 0,02% no dia, cotado a 160,48.

