O Banco Central Europeu (BCE) pode ver o risco de uma alta de juros retornar, impulsionado pela recente escalada de tensões no Oriente Médio e pela alta nos preços do petróleo, segundo análise da ING. Carsten Brzeski, economista do banco, argumenta que, apesar de a manutenção das taxas ser o cenário mais provável para a próxima reunião, uma decisão surpreendente de elevar os juros não pode ser totalmente descartada.
Brzeski observa que o cenário macroeconômico atual se assemelha ao observado antes da reunião de junho, quando o BCE decidiu elevar as taxas em 25 pontos base para 2,25%. A volatilidade nos preços da energia, que chegou a cair abaixo dos níveis pré-guerra, havia diminuído as dúvidas sobre a necessidade de novos aumentos. No entanto, a nova escalada no Oriente Médio e a consequente alta nos preços do petróleo reacenderam preocupações inflacionárias.
Embora a reunião de julho não traga novas projeções macroeconômicas, a expectativa é que o BCE tenha realizado uma atualização interna das projeções de junho, considerando os últimos desenvolvimentos nos preços do petróleo. Com os níveis atuais, o banco central estaria de volta ao seu cenário base de junho.
Apesar de dados de inflação surpreendentemente lentos em junho e poucos sinais de efeitos indiretos ou de segunda ordem, que deveriam ter reduzido a urgência por novas altas, o cenário base do BCE pode servir como um forte argumento para mais um aumento. A análise sugere que, embora um aumento em setembro seja mais realista, há uma pequena chance de o BCE optar por uma alta já na próxima reunião. Em suma, a reunião de julho promete um último embate entre os “hawkish” e “dovish” antes do recesso de verão.


