Recapitulando Hammack do Fed: inflação ainda supera empregos na agenda do banco central

Resumo: inflação no centro da pauta

Para a presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, a inflação continua sendo a preocupação mais importante da política monetária dos EUA. Ela defende que a atuação do Banco Central permaneça ligeramente restritiva até que a inflação esteja bem alinhada com a meta de 2%.

Visão sobre a taxa neutra

Durante uma fala no Economic Club of New York, Hammack indicou que sua leitura da taxa neutra — aquela que não estimula nem restringe a atividade econômica — sugere que a postura atual é apenas levemente restritiva, se é que ainda procede. A conclusão se baseia em dados recentes, sinais do mercado e estimativas de modelos.

Inflação, emprego e projeções

Ela destacou que a inflação tem ficado acima da meta por mais de quatro anos, enquanto o mercado de trabalho permanece robusto, porém amaciando. Prevê que o crescimento de preços ficará próximo de 1 ponto percentual acima da meta no próximo ano, levando dois a três anos para reduzir esse hiato. A taxa de desemprego deve subir um pouco acima do nível de equilíbrio de longo prazo em 2026, antes de recuar.

Consumo e distribuição de renda

Na sessão de perguntas e respostas, Hammack descreveu a economia norte-americana como robusta e saudável, ressaltando que não apoiaria reduções de juros para um território mais acomodativo, dado o aperto inflacionário persistente. Ela também observou que o consumo continua concentrado entre famílias de renda mais alta, com pressões de preço atingindo faixas superiores da escala de renda.

Independência do Fed e ativos digitais

Ela defendeu a independência do Fed, dizendo que é essencial para decisões guiadas por dados, livres de influências políticas. Sobre ativos digitais, afirmou que stablecoins podem ter utilidade em pagamentos transfronteiriços, mas não oferecem vantagem em relação a sistemas existentes como o FedNow para uso doméstico.

IA e impactos estruturais

A economista também abordou o impacto estrutural da inteligência artificial, destacando que a política monetária é mais adequada a mudanças cíclicas do que a transformações estruturais — e que a IA pode impulsionar ganhos de produtividade, ao mesmo tempo em que pode provocar deslocamento de empregos.

Debates entre formuladores

As observações destacam divergências entre os responsáveis pela condução da política, com alguns sinalizando maior foco em frear o crescimento de empregos do que na inflação, o que aponta diferentes perspectivas sobre quando realizar cortes no futuro.