A Netflix divulgou resultados do terceiro trimestre com crescimento sólido da receita, impulsionado pela recuperação de assinantes, pelo impulso da publicidade e por ajustes de preço. No entanto, a lucratividade ficou abaixo do esperado, com a margem operacional caindo e custos não recorrentes pesando nos ganhos.
Resumo rápido: Receita US$ 11,51 bilhões, em linha com a previsão; EPS US$ 5,87 contra US$ 6,97 estimados.
A receita subiu 17% na comparação anual, para US$ 11,51 bilhões, apoiada por ganhos estáveis de assinantes, impulso de publicidade, dólar mais fraco e ajustes de preço. O ponto de pressão veio do lucro operacional, de US$ 3,25 bilhões, que ficou aquém das expectativas, com a margem caindo para 28,2% frente 31,7% no trimestre anterior e abaixo da orientação de 31,5%. Extra confirmado: houve uma cobrança de US$ 619 milhões relacionada a uma disputa com autoridades fiscais brasileiras, o que tirou cerca de 5 pontos percentuais das margens. A orientação de margem operacional para o ano foi reduzida para 29% (de 30%) por causa do mesmo problema.
Filmes como Happy Gilmore 2 e KPop Demon Hunters foram destaques no trimestre, enquanto o negócio de publicidade registrou o melhor trimestre de todos os tempos, sinalizando como pode evoluir a visão dos espectadores.
O fluxo de caixa livre continuou a ser um ponto positivo, em US$ 2,66 bilhões no terceiro trimestre, estável em relação ao segundo e acima de US$ 2,19 bilhões há um ano. A empresa projeta US$ 9 bilhões em FCF frente a uma capitalização de mercado de cerca de US$ 526 bilhões (antes da queda), o que corresponde a um rendimento de FCF de cerca de 1,7%. A Netflix está praticamente sem dívidas.
Os investidores valorizam o crescimento, e a companhia vê crescimento de receita de 17% no quarto trimestre. Contudo, a orientação para o Q4 aponta margem operacional de 23,9%, um recuo em relação a altas recentes, após elevações em 2024.
- Q1 2023: 16,8%
- Q2 2023: 17,5%
- Q3 2023: 18,4%
- Q4 2023: 20,6%
- Q1 2024: 22,5%
- Q2 2024: 23,8%
- Q3 2024: 25,7%
- Q4 2024: 26,7%
- Q1 2025: 31,7%
- Q2 2025: 34,1%
- Q3 2025 (resultado): 28,2%
- Q4 2025 (previsto): 23,9%
No fim, os investidores avaliam o potencial de crescimento contínuo diante da pressão de margens; o risco é que usuários, especialmente jovens, migrem para plataformas como YouTube e jogos e deixem de lado o Netflix.
