Durante uma audiência no Parlamento Europeu, a presidente do BCE apresentou o cenário da economia da zona do euro e atualizou as perspectivas de inflação.
Panorama econômico da zona do euro
- A economia da zona do euro mostrou resiliência, com crescimento de 0,7% no primeiro semestre, sustentado pela demanda interna.
- O crescimento foi assimétrico: o impulso do comércio abriu o primeiro trimestre, mas tarifas mais altas, valorização do euro e a competição global frearam o segundo trimestre, limitando o ritmo de curto prazo.
- O setor de serviços continua robusto, mantendo a dinâmica subjacente.
- O mercado de trabalho tem sustentado o consumo, apesar da demanda mais fraca.
- Investimentos devem contar com cortes de juros anteriores e gastos públicos em infraestrutura e defesa para sustentar o investimento.
- Previsões de crescimento: 1,2% em 2025, 1,0% em 2026 e 1,3% em 2027.
- Os riscos para o crescimento tornaram-se mais equilibrados, com potenciais de baixa decorrentes de tensões comerciais e oportunidades de alta advindas de reformas e gastos.
Perspectiva da inflação
- A inflação fica próxima da meta de 2% (2,2% em setembro; núcleo em 2,3%).
- Os salários reais recuperaram os níveis pré-aumento inflacionário; o crescimento salarial está moderando (3,9% no 2º trimestre, 4,8% no ano anterior).
- Projeções: 2,1% em 2025, 1,7% em 2026, 1,9% em 2027.
- Inflação sem energia e alimentos: 2,4% em 2025 até 1,8% em 2027.
- Os riscos permanecem, mas o leque de riscos se estreitou.
Postura de política monetária
- O processo de desinflação terminou; espera-se inflação em torno de 2%.
- A BCE manteve as taxas de juros inalteradas na última reunião.
- A política continua dependente de dados, avaliando a cada reunião.
- Não há compromisso prévio com um trajeto de juros — as decisões dependerão da perspectiva de inflação, da dinâmica subjacente e da força da transmissão.
Não há grandes surpresas no discurso elaborado.