Contexto
O debate entre imigração e inflação de moradia ganhou destaque, mas é preciso interpretar os dados com cautela. Uma leitura controvertida sustenta que mudanças migratórias podem reduzir preços de aluguel, porém apresenta falhas na base de cálculo.
O núcleo da discussão envolve Miran ter utilizado apenas a parcela de 100 milhões de pessoas que alugam, em vez da população total de 340 milhões, reduzindo o denominador e inflando o impacto estimado.
Albert Saiz, economista da MIT e autor do estudo original, disse à Reuters que, quando se usam magnitudes corretas, o efeito anual fica em torno de 0,29%, insuficiente para justificar grandes alterações na política monetária.
Miran ainda defende que a inflação de aluguel cairá em cerca de 2 pontos percentuais até 2027, uma previsão que especialistas descrevem como otimista e que não considera a possível redução na oferta de trabalho imigrante.
Apesar de haver um mecanismo plausível pelo qual imigração possa influenciar o aluguel, a magnitude depende de métricas apropriadas e da forma como o mercado de habitação responde a esses fluxos populacionais.