O ouro reagiu a dados de PMI mais fracos e a uma postura cautelosa do Fed, com o foco se deslocando para o PIB dos EUA e para o índice core PCE. A inflação permanece elevada, e os mercados aguardam sinais para confirmar o caminho da política monetária.
O preço do ouro subiu durante a sessão na América do Norte, registrando ganho de cerca de 0,7% após tocar a máxima histórica de US$ 3.791, impulsionado por dados econômicos dos EUA e pelo discurso do presidente do Fed, Jerome Powell. No momento desta edição, o XAU/USD operava por volta de US$ 3.772, após testar mínimas de US$ 3.736.
Ouro estende ganhos, apesar do tom cauteloso de Powell
Powell sinalizou que as dificuldades no mercado de trabalho podem ter se equilibrado, justificando uma redução de juros, mas avisou que a inflação permanece relativamente alta e que a política permanece dependente de dados. A sinalização de riscos duais sugere que não há caminho livre para cortes sem considerar o cenário inflacionário.
Ele acrescentou que a inflação tem se mantido em patamar elevado e que efeitos inflacionários ligados a tarifas devem ser relativamente breves. A postura de política monetária continua sendo moderadamente restritiva e sensível aos dados.
Comentários de outros dirigentes
Entre autoridades, Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, disse que pode aceitar uma variação de meta de inflação futura e espera pressão inflacionária adicional. Michelle Bowman, governadora do Fed, defende três cortes em 2025 para sustentar o mercado de trabalho, enquanto Austan Goolsbee, da Fed de Chicago, ressaltou que a inflação precisa chegar a 2%.
PMIs e o tom da economia americana
A S&P Global mostrou que a atividade dos EUA desacelerou em setembro, com PMIs de serviços e manufatura ficando abaixo do esperado. O PMI de manufatura caiu para 52,0 e o de serviços ficou em 53,9. Os índices apontam para um crescimento modesto, porém ainda positivo.
O que vem pela frente
Nesta semana, o relatório de pedidos de bens duráveis, a leitura final do PIB do 2º trimestre e o índice de preços core do PCE, medida preferida de inflação pelo Fed, aparecem no radar dos investidores.
Movimentação e perspectiva de curto prazo
O dólar americano recuou após o discurso de Powell, com o índice DXY caindo cerca de 0,07% para 97,22. Os rendimentos dos Treasuries também recuaram, com o título de 10 anos em 4,114% e os rendimentos reais próximos de 1,74%, o que costuma sustentar o ouro em cenários de inflação contida.
Powell reconheceu as dificuldades da trajetória de política e disse que o Fed observa tanto a inflação quanto o emprego de forma equilibrada. O Beige Book aponta crescimento moderado da economia.
Dados divulgados mais cedo mostraram desaceleração da atividade de manufatura e serviços em setembro. O PMI de manufatura ficou em 52,0 e o PMI de serviços em 53,9. Os preços pagos subiram para 62,6, com tarifas citadas como principal fator de custo adicional. As probabilidades de um corte de 25 pontos-base em 19 de outubro estão em torno de 91%.
Perspectiva técnica
A tendência de alta do ouro permanece intacta, embora haja hesitação para ultrapassar a marca de US$ 3.800 no curto prazo. Um fechamento diário abaixo de US$ 3.760 abriria espaço para testes em US$ 3.750 e, posteriormente, em US$ 3.700. O RSI indica domínio dos touros, mas com perda de impulso.
Se o ouro romper acima de US$ 3.775, abre caminho para testar o recorde de US$ 3.791. Em caso de avanço, a próxima meta fica próxima de US$ 3.800.
Perguntas frequentes sobre o ouro
Por que as pessoas investem em ouro? O ouro tem historicamente atuado como reserva de valor e ativo de proteção contra inflação e riscos geopolíticos, além de servir como hedge em épocas de turbulência econômica.
Quem detém mais ouro? Bancos centrais são os maiores compradores, buscando diversificar reservas para sustentar moedas em tempos de incerteza. Em 2022, esses bancos adicionaram milhares de toneladas de ouro, o que é o maior repasse anual desde o início dos registros. Países como China, Índia e Turquia vêm aumentando suas reservas.
Como o ouro se relaciona com outros ativos? O ouro tende a ter correlação inversa com o dólar e com títulos do Tesouro dos EUA, além de flertar com ativos de risco: quando as ações sobem, o ouro costuma cair; quando há aversão ao risco, o ouro tende a se valorizar.
Do que depende o preço do ouro? O preço reage a uma combinação de fatores, incluindo instabilidade geopolítica, recessão, variações na taxa de juros e, principalmente, o comportamento do USD. Um dólar forte costuma conter o ouro, enquanto dólar fraco tende a impulsioná-lo.