Panorama de fluxos: no quadro atual, muitos acreditaram que políticas instáveis e tarifas elevadas prejudicariam a economia norte-americana e enfraqueceriam o dólar. No entanto, há uma leitura forte por trás dos números que merece atenção.
Os dados mais recentes do TIC, referentes a julho, mostram que a demanda estrangeira por ativos em dólares continua firme, mesmo diante das preocupações com tarifas e com a suposta incoerência de políticas.
Embora o mês ainda não tenha capturado o eventual viés dovish da autoridade monetária, a decisão de corte de juros recente aponta para um novo tom, sem exageros nessa direção.
Vamos aos números do TIC: compradores estrangeiros realizaram compras líquidas de títulos de longo prazo dos EUA no valor de 78,8 bilhões de dólares. O acumulado do ano é de 865,1 bilhões de dólares, comparado a 1.180,4 bilhões em 2024, o que sugere que não houve um esfriamento abrupto do apetite por ativos americanos.
A maior parte dessas compras em julho ocorreu em Treasuries e bonds corporativos, somando 85,4 bilhões de dólares, compensadas por saídas líquidas de ações no mês de 16,2 bilhões. Isso sugere que investidores não estão abandonando os EUA em massa.
Após entradas recordes em maio e junho (115,8 e 163,1 bilhões, respectivamente), julho trouxe uma suavização, lembrando que um único mês não define tendência.
Além disso, as holdings estrangeiras em Treasuries atingiram um novo recorde de 9,2 trilhões de dólares, e as posses da UE em ativos em dólares alcançaram 8,9 trilhões em julho, sinalizando excelente apetite por ativos americanos.
Em resumo, isso mostra que o dólar pode estar menos firme neste ano por motivos de sentimento, mas os fluxos subjacentes indicam que qualquer recuo associado ao dólar virá acompanhado de uma demanda ainda forte por ativos dos EUA.
Ao contrário da narrativa de saída de capital, os dados apontam o oposto: investidores estrangeiros continuam a demonstrar interesse significativo por ativos norte-americanos, mesmo em tempos de incerteza para o dólar e a economia.
