Foi a decisão do Fed dovish ou hawkish? Vamos comparar com a precificação do mercado

Ontem, antes da decisão do Fed, revisitei as expectativas e possíveis surpresas. Abaixo, apresento um resumo claro do que foi divulgado e o que isso pode significar para o caminho da política monetária.

DECLARAÇÃO

As mudanças na declaração seguiram o esperado. O Fed reconheceu o enfraquecimento do mercado de trabalho e manteve o tom sobre inflação elevada e incerteza. A única surpresa foi a composição do voto: apenas um membro defendia um corte de 50 pontos-base, em vez de dois ou três, o que por pouco soou hawkish.

DOT PLOT

As mudanças no gráfico de pontos mostraram uma postura mais hawkish do que o projetado pelo mercado. O mercado esperava cerca de 68 pb de estímulo até o fim de 2025 (três cortes em 2025) e 148 pb até o fim de 2026. O Fed, contudo, alinhou-se ao ritmo de 2025, projetando apenas mais um corte em 2026.

CONFERÊNCIA

A leitura fica mais sutil. Se tomarmos o discurso de Powell em Jackson Hole como referência, ele não se desviou muito. Credita maior peso ao mercado de trabalho, citando dois relatórios de NFP fracos, e não sinalizou grande preocupação com os dados recentes, atribuindo parte da volatilidade a mudanças na imigração.

Ele descreveu o corte como uma ação de ‘gestão de risco’, o que sugere que, se os dados ganharem fôlego nos meses seguintes, o comitê pode privilegiar a inflação, reduzindo as chances de dois cortes no futuro.

RESUMO

Em linhas gerais, a decisão não parece dovish. É neutra a hawkish, com a fraqueza recente no mercado de trabalho levando o Fed a adotar uma postura de ‘gestão de risco’. Se os dados melhorarem, o tono poderá se tornar mais hawkish.