O Real brasileiro (BRL) oscila entre ganhos moderados e quedas em relação ao Dólar Americano (USD) nesta terça, à medida que o mercado aguarda a decisão do Banco Central do Brasil, marcada para quarta-feira, às 21:00 GMT.
O BRL continua sustentado por uma política monetária ainda bastante restritiva, mas a apreensão é perceptível antes da decisão do BC, que, segundo a maioria dos economistas, deve manter a taxa de juros em 15%.
Pressões inflacionárias estruturais persistem, especialmente no setor de serviços, o que favorece uma estratégia de manter a política atual por mais tempo, segundo analistas.
No entanto, o mercado cambial permanece atento ao tom das autoridades monetárias, que podem sinalizar um novo timing para o primeiro corte, hoje estimado pela maior parte dos observadores apenas para 2026.
Política monetária brasileira: cautela continua
O Copom deve manter uma postura cautelosa na próxima quarta-feira. Após elevar a taxa básica em 450 pontos percentuais desde setembro de 2024, o BC já pausou em julho e parece determinado a prolongar esse regime de espera diante de uma inflação ainda acima da meta.
Segundo o economista José Alfaix, da Rio Bravo Investimentos, “embora o BC tenha avançado no controle da inflação, continua enfrentando um mercado de trabalho rígido e um ambiente externo incerto”.
Mesmo com uma queda pontual no CPI em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, bem acima da meta oficial de 3%.
A alta de 0,39% nos preços de serviços em agosto, impulsionada pelo desemprego historicamente baixo, aumenta as preocupações com a inflação subjacente, o que sustenta a necessidade de manter uma taxa de juros restritiva por mais tempo.
Outro fator decisivo para o Copom é a trajetória do câmbio. O Real apreciou em 2025, o que ajudou a atenuar o impacto de preços de importados, mas essa vantagem pode ser passageira.
Como aponta Júlio César de Mello Barros, do Banco Daycoval, “a valorização do câmbio tem sido benéfica, mas não há garantia de continuidade”.
A incerteza associada à política comercial dos EUA, incluindo novas tarifas sobre algumas importações brasileiras, complica o cenário. Tensões externas podem levar o BC a manter a cautela para limitar a volatilidade nos mercados.
Quando o BC pode cortar juros?
Embora haja expectativa de pausa em setembro, as apostas sobre o próximo ajuste variam. Segundo uma pesquisa da Reuters, entre 36 economistas, 10 preveem cortes em dezembro, 13 em janeiro, 9 em março e o restante ao longo de 2026.
As previsões médias indicam que a taxa ficará em 15% até o fim de 2025, recuando gradualmente para 14,25% no primeiro trimestre de 2026.
Análise técnica USD/BRL
Gráfico de 4 horas mostra o USD/BRL rompendo após mais de um mês de consolidação em um canal entre 5,42 e 5,54, com queda para 5,34 nesta terça. Um fechamento abaixo desse nível pode reacender a pressão de baixa no curto prazo. Já uma recuperação tende a encontrar resistência em 5,42, que precisará ser superada para indicar uma perna de alta mais sólida.
O BRL continua se fortalecendo frente ao USD, e a decisão do BC pode acentuar ou reverter essa trajetória.
