O dólar enfrenta mais riscos de queda hoje, com a divulgação dos números de empregos de agosto nos EUA, segundo o analista de FX da ING, Francesco Pesole.
Boa chance de testar novamente os 97,55 pontos do DXY
Primeiro, de acordo com nossos modelos de avaliação de curto prazo, o dólar já está caro frente ao G10 nas atuais condições de swap em dólar. Em segundo lugar, se os empregos vierem bem abaixo do esperado, o mercado pode reprecificar para três cortes de juros do Federal Reserve até o fim do ano (60 pontos-base já precificados por ora). Contudo, uma surpresa positiva acentuada pode ser tratada com mais cautela, pois os mercados podem duvidar da credibilidade dos dados sob a nova equipe no Bureau of Labor Statistics.
Além do número de empregos divulgado (consenso em 75 mil), as revisões de dois meses e a evolução da taxa de desemprego (consenso em 4,3%) merecerão atenção, já que leituras acima do esperado tendem a piorar ainda mais o dólar. A lógica é que, embora as folhas de pagamento estejam desacelerando, isso pode refletir faltas de mão de obra em vez de demissões, algo que seria capturado por um aumento no desemprego. O presidente do Fed, Jerome Powell, já enfatizou manter o foco na taxa de desemprego antes de Jackson Hole.
As payrolls do ADP de ontem, consideradas mais confiáveis após as revisões de julho, mostraram contratação em queda para 54 mil em agosto, abaixo do consenso. A Challenger reportou o menor nível de contratações para agosto desde 2009 e o maior número de demissões já registrado, excluindo a pandemia de 2020. Tudo indica uma deterioração adicional no mercado de trabalho, e a resiliência do dólar frente aos juros nas últimas semanas sugere uma boa chance de testar novamente o mínimo de 97,55 no DXY.