O presidente demitiu o chefe do BLS após o relatório de empregos não agrícolas revisado no mês passado, e este é o primeiro desde então. A demissão da comissária Erika McEntarfer foi claramente política, e ninguém leva a sério a acusação de que ela teria falsificado os números.
E agora?
À primeira vista, parece difícil refazer todos os processos que ajudam a compor o relatório de empregos mensal. Por outro lado, talvez a tranquilidade atual leve a pequenas ações para evitar que algo fique subcontado ou que os ajustes sazonais sejam alterados, o suficiente para manter a credibilidade.
Ou, quem sabe, alguém no topo tente uma intervenção mais direta para se proteger politicamente.
O pior cenário que imagino é algo como 500 mil novos empregos. O consenso é de +75 mil e um resultado excepcionalmente sólido — mesmo que seja apenas ruído estatístico — ainda assim poderia destruir a credibilidade do relatório no longo prazo.
Onde fica o limite? Até onde o relatório pode cair e ainda parecer crível, por exemplo 200 mil. Não está claro onde o mercado traçará essa linha.
O lado contrário seria se aparecer números negativos ou revisões ainda mais expressivas para baixo, o que abriria espaço para novas pressões políticas.
Isso nos coloca no meio: se o número vier um pouco acima ou um pouco abaixo, o que o mercado está disposto a acreditar?
Não há respostas certas, e o melhor é não tentar ser o herói.