- O XAU/USD avança mais de 2% ao romper o pico de abril e registrar novo recorde acima de US$ 3.530.
- A demanda por proteção aumenta em meio a temores de independência do Fed, incerteza na política dos EUA e maior entrada em ETFs de Ouro.
- PMIs norte-americanos mistos aprofundam o tom de retorno ao medo, com a atenção voltada para o relatório de empregos de sexta-feira.
Os preços do ouro atingiram um novo patamar histórico acima de 3.500 dólares na terça-feira, subindo mais de 2% mesmo com o dólar americano valorizando e com rendimentos do Tesouro dos EUA em alta. A aversão ao risco domina, apesar de previsões de possível corte da taxa pelo Fed em setembro. O XAU/USD fica acima de 3.520, após recuperar de mínimas diárias de 3.470.
O metal precioso atinge novo recorde de 3.530, mesmo com dólar mais forte e yields em alta
O clima de mercado permanece cauteloso, favorecendo fluxos para o ouro, que superou a alta de abril de 3.500 e atingiu o recorde de 3.530, com potencial para alcançar patamares ainda maiores.
Fatores como incerteza em relação à política dos EUA, ameaças à independência do Fed e o aumento dos fluxos para ETFs de Ouro impulsionam a sessão de terça-feira. Dados, como PMIs mistos de manufatura do ISM e da S&P Global, indicaram aos investidores que comprassem o metal precioso em vez de ações.
No mercado de câmbio, o dólar avança e os rendimentos do Tesouro sobem, com os operadores exigindo prêmio maior ao longo da curva, especialmente no meio e longo prazo.
Ainda, traders aguardam os números de empregos de agosto do setor não-agrícola (NFP) na sexta-feira. Um relatório positivo pode levar a um recuo nos preços do ouro, à medida que traders reavaliam a possibilidade de o Fed manter taxas estáveis em vez de cortá-las.
Resumo diário: Ouro dispara junto com o dólar
- A expansão do preço do ouro seguiu avançando, mesmo com o dólar dos EUA ganhando terreno. O índice DXY está em alta de 0,61% aos 98,28.
- Os rendimentos do Tesouro também sobem, com a nota de 10 anos a 4,273%. Rendimentos reais dos EUA — calculados subtraindo as expectativas de inflação do rendimento nominal — subiram cerca de 4,5 pontos-base para 1,862% no momento da redação.
- O PMI de manufatura ISM recuou pelo sexto mês seguido, embora tenha mostrado leve melhoria, de 48 para 48,7 em agosto, aquém das expectativas de 49. Os componentes apontaram queda nos custos com insumos.
- A S&P Global informou que a atividade na manufatura deteriorou, de 53,3 para 53.
- As entradas em ETFs de Ouro reforçam o rally, com o SPDR Gold Trust aumentando para 977,68 toneladas, o maior desde agosto de 2022.
- As probabilidades de corte da taxa do Fed em setembro estão em 94,75%, segundo a ferramenta Prime Market Terminal.
Perspectiva técnica: o ouro pode mirar 3.600 no curto prazo
A tendência de alta reiniciou na terça-feira, com o metal não renderoso atingindo patamares históricos acima de 3.500. O RSI, apesar de perto de sobrecompra, indica que os touros continuarão fortes; o nível 80 sinaliza a condição mais extrema de sobrecompra.
Se o XAU/USD ultrapassar 3.550, o caminho fica aberto para testar 3.600. Por outro lado, se o ouro recuar, a primeira área de interesse seria o 3.500. A quebra deste nível exporia a máxima de 29 de agosto, 3.454, antes de recuar para 3.400.

Perguntas Frequentes sobre Ouro
O Ouro tem sido uma reserva de valor histórica e, além de seu brilho, é visto hoje como um ativo de proteção contra inflação e de refúgio em tempos turbulentos, já que não depende de um emissor específico.
Bancos centrais são os maiores detentores de Ouro. Para apoiar suas moedas em cenários voláteis, muitos governos diversificam reservas, aumentando a fatia de Ouro para fortalecer a economia. Em 2022, bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas, estimadas em 70 bilhões de dólares, a suas reservas — o maior aporte anual desde o início dos registros. Países emergentes como China, Índia e Turquia têm aumentado suas reservas de Ouro.
O Ouro tende a ter correlação inversa com o Dólar e com Títulos do Tesouro dos EUA, ativos de reserva e proteção. Quando o Dólar cai, o Ouro tende a subir, ajudando investidores a diversificar. O Ouro também tende a ter correlação inversa com ativos de risco; alta no mercado tende a enfraquecer o Ouro, enquanto quedas em mercados de maior risco favorecem o metal amarelo.
O preço pode se mover por várias razões. Incerteza geopolítica ou receios de recessão profunda podem elevar o Ouro pela sua natureza de proteção. Por ser ativo sem rendimento, o Ouro tende a subir com juros baixos, enquanto custos de dinheiro mais altos costumam pressioná-lo para baixo. Ainda assim, grande parte dos movimentos depende do comportamento do Dólar (XAU/USD). Um Dólar mais forte tende a manter o preço sob controle, enquanto um Dólar mais fraco pode impulsionar o Ouro.