Corte Federal de Apelações dos EUA: a maior parte das tarifas de Trump é ilegal

Resumo

Na sexta-feira à noite, o Tribunal Federal de Apelações (Circuito Federal) derrubou a grande maioria das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, entendendo que elas violam leis que dão ao Congresso controle sobre tarifas e política fiscal.

A decisão, por 7 votos a 4, aponta que a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) foi utilizada de forma inadequada nos casos das tarifas sobre fentanyl e as tarifas recíprocas mais amplas.

O veredito se apoia na leitura do texto da IEEPA, lembrando que o Congresso historicamente usou termos como “duty” (direito) ou “tarifa” para delegar autoridade tarifária, enquanto a IEEPA autoriza apenas o Presidente a “regular… importação”.

Crucialmente, a decisão teve suspenso até 14 de outubro para recursos, e o caso deve, muito provavelmente, chegar à Suprema Corte. O caso também foi encaminhado de volta à Court of International Trade para decidir a extensão da liminar e se as tarifas devem continuar a ser cobradas.

Observa-se que as tarifas sobre o Brasil (pelo governo Bolsonaro) e sobre a Índia (pelo petróleo russo) não estavam em questão neste processo e não fazem parte da decisão. Ainda assim, a derrota da base de tarifas poderia reduzir drasticamente a pressão tarifária e mudar o jogo. Pode também gerar um confronto se as maioresias republicanas no Congresso forem convocadas a votar, já que muitos passaram a vida defendendo o livre comércio.

O Artigo I da Constituição dos EUA também afirma:

O Congresso terá o Poder de impor e cobrar Impostos, Direitos Aduaneiros, Impostos Especiais para pagar as Dívidas e prover para a defesa comum e o bem-estar geral dos Estados Unidos; porém todos os Deveres, Impostos e Encargos devem ser uniformes em todo o território dos Estados Unidos.

Este será um grande teste para a Suprema Corte. Não é uma decisão de tudo ou nada; pode haver acordo intermediário que torne as tarifas mais rígidas, ou pode haver a remoção das tarifas, abrindo espaço para um início de semana com cenários variados nos mercados. A tendência sugere que setores ligados ao crescimento global ganhem destaque: commodities, moedas ligadas a commodities, ações internacionais e de small caps, indústrias e mercados emergentes, especialmente exportadores de commodities.

Riscos e oportunidades nos mercados de dívida também aparecem: a remoção de tarifas tende a ser deflacionária e pode favorecer cortes de juros, mas um crescimento global mais robusto pode alimentar inflação, enquanto a queda na receita de tarifas afeta o quadro fiscal dos EUA.