A força do Franco Suíço (CHF) e a desvalorização do Yuan Chinês (CNY) estão impactando negativamente a competitividade das exportações suíças. Segundo análise de Michael Pfister, do Commerzbank, o franco é a única moeda do G10 que se encontra sobrevalorizada em relação ao dólar americano, segundo a paridade do poder de compra da OCDE, com uma margem superior a 10%. Essa valorização, somada à apreciação significativa contra o euro nos últimos anos, adiciona pressão à competitividade de preços.
Embora as exportações suíças como um todo tenham ganhado participação de mercado em seus maiores mercados de exportação entre 2019 e 2024, essa tendência se inverte ao se excluir os metais preciosos. Nesse cenário, a Suíça perdeu, em média, participação de mercado.
Em contraste, a Suíça tem perdido participação de mercado em sua principal categoria de exportação, medicamentos, desde 2019, com algumas perdas atingindo dois dígitos percentuais. Embora a China também tenha ganhado participação, foi em menor escala, indicando que a desvalorização do CNY pode não ser o principal fator.
O setor químico suíço também sofreu perdas significativas de participação de mercado. Diferentemente do setor farmacêutico, a China emerge como a grande vencedora neste segmento, ganhando expressiva participação não apenas à custa dos exportadores suíços, mas também de outros países. Isso sugere que o efeito da taxa de câmbio é um fator mais provável neste setor.
A diferenciação entre os setores torna difícil isolar o impacto exato da apreciação do franco. No setor de relógios, por exemplo, o efeito parece ser mínimo. Já no setor farmacêutico, o problema não parece ser a China, mas sim outros concorrentes.
