BCE sob pressão: Choque do petróleo pode travar planos de juros, alerta Societe Generale

Estrategistas do Societe Generale projetam que o Banco Central Europeu (BCE) manterá as taxas de juros inalteradas na reunião de hoje, mesmo diante de um viés mais rígido (hawkish) remanescente de ciclos de aperto anteriores. O banco alerta que a persistência das tensões no Golfo nas próximas seis semanas pode tornar qualquer decisão futura de alta de juros ainda mais controversa, à medida que os riscos para o crescimento econômico aumentam.

Inflação pelo petróleo vs. crescimento frágil

De acordo com a análise, o cenário atual é atípico. “Ocasiões como a de ontem são raras na história do BCE, quando o mercado de títulos sofre um sell-off na véspera da reunião do conselho, como se estivesse pressionando a autoridade monetária a elevar as taxas”, afirmam os analistas.

A recente quebra nos preços e o salto nos yields nas últimas 24 horas são atribuídos inteiramente ao choque na oferta de petróleo — possivelmente ligado à retomada de operações militares dos EUA — e não a um excesso de demanda ou sinais de superaquecimento da economia.

Ainda traumatizado pelo atraso no aperto monetário iniciado em 2022, o BCE mantém uma inclinação para elevar os juros, mas a expectativa é de manutenção no dia de hoje. “O mérito de uma alta hoje pode até estar em discussão na mesa, mas o voto será pelo status quo“, destaca o Societe Generale.

Perspectivas para o médio prazo

O cenário para o próximo mês e meio é desafiador. Sem uma resolução para o conflito no Golfo, uma eventual elevação de juros em seis semanas enfrentaria maior resistência. Esse movimento poderia coincidir com uma deterioração adicional do panorama econômico, resultando em destruição simultânea de oferta e demanda na região.