CAD: BoC adota tom mais ‘hawkish’ diante de riscos geopolíticos, aponta MUFG

Derek Halpenny, do MUFG, ressalta que o dólar canadense (CAD) tem demonstrado resiliência frente ao dólar americano desde o início do conflito no Oriente Médio. A expectativa é que o Banco do Canadá (BoC) mantenha as taxas de juros inalteradas, porém adotando um tom mais hawkish.

O analista prevê riscos de inflação mais elevados e persistentes. Embora mantenha um viés de curto prazo favorável ao dólar americano (USD), ele acredita que o CAD deve superar outras moedas do G10 dependentes de importação de energia em um cenário de reescalada das tensões.

BoC focado na inflação

“Além do FOMC, o Banco do Canadá se reúne hoje e uma postura monetária inalterada é amplamente esperada. Também teremos a divulgação do Relatório de Política Monetária, onde provavelmente veremos uma revisão para baixo no crescimento do PIB deste ano, acompanhada de uma revisão para cima na inflação”, afirma Halpenny.

Em um cenário de desescalada, o MUFG considera razoável assumir que a correção nos preços de energia ainda manterá patamares superiores aos níveis pré-conflito, dado o prêmio de risco geopolítico residual. Isso implica um nível de inflação mais alto do que o projetado anteriormente.

Mudança de postura e fluxo de mercado

Com o fechamento do Estreito de Ormuz sem previsão de término e ativos de risco demonstrando resiliência, o BoC deve se mostrar mais rigoroso do que em março, sinalizando maior preocupação com os riscos de alta nos preços.

Os dados mais recentes de posicionamento do IMM mostraram a maior semana de vendas de CAD por fundos alavancados desde julho de 2024. No entanto, o MUFG reitera que, mesmo que o dólar canadense possa performar abaixo do USD em uma eventual piora do conflito, o movimento tende a ser moderado, com a moeda canadense se destacando positivamente frente aos seus pares importadores de commodities energéticas.