O dólar americano (USD) permanece operando em intervalos definidos (rangebound), apesar do salto nos preços do petróleo Brent após a notícia de que os Emirados Árabes Unidos (EAU) deixarão a OPEP e a OPEP+ em 1º de maio, com o objetivo de elevar drasticamente sua produção. Philip Wee, estrategista do DBS Bank, destaca que um potencial excesso de oferta global, somado à mudança na liderança do Federal Reserve (Fed) sob Kevin Warsh, pode corroer o prêmio de porto seguro (safe haven) do USD à medida que o prazo de 1º de maio se aproxima.
Dólar sustenta patamar enquanto petróleo dispara
O USD apresentou um comportamento contido, apesar da valorização das commodities energéticas. O petróleo Brent subiu 2,8%, atingindo US$ 111,26 por barril no overnight, impulsionado pelo anúncio surpresa dos EAU. Embora este tenha sido o primeiro fechamento diário do Brent acima de US$ 110 desde 31 de março, o Índice DXY manteve-se em um intervalo estreito entre 98,2 e 98,9 na última semana.
Para além das tensões geopolíticas no Conselho de Cooperação do Golfo, a intenção dos Emirados Árabes de aumentar a produção para 5 milhões de barris por dia (bpd) — contra a cota atual de 3,4 milhões — pode derrubar os preços se os EUA e o Irã encontrarem uma saída diplomática para encerrar o bloqueio duplo no Estreito de Ormuz. Esse movimento coincide com o prazo de 60 dias da Operação Epic Fury sob a Resolução de Poderes de Guerra de 1973.
Transição no Fed e volatilidade no radar
Se esse cenário de oferta se concretizar, o foco do mercado deve se deslocar para o próximo capítulo do Fed sob o comando de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump. Diante da convergência desses eventos geopolíticos e institucionais de alto impacto, os investidores devem se preparar para um aumento na volatilidade.
O USD tende a perder seu prêmio de safe haven caso as surpresas apontem para um excesso de oferta de petróleo que sustente a mudança de paradigma do futuro presidente do Fed.



