Analistas do ING, Warren Patterson e Ewa Manthey, afirmam que a saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da OPEP, a partir de 1º de maio, representa um golpe significativo para o grupo, embora o impacto imediato no mercado de petróleo seja limitado devido às interrupções em curso no Golfo Pérsico.
Saída dos EAU altera dinâmica do Brent
O anúncio de que os Emirados Árabes deixarão a OPEP é um dos desdobramentos mais relevantes dos últimos anos para o cartel. A decisão deve aumentar a produção global, dado que o país possui capacidade atual de cerca de 4,85 milhões de barris por dia (b/d), com planos de atingir 5 milhões de b/d até 2027.
No entanto, para que essa capacidade seja plenamente utilizada, é necessária uma resolução nos conflitos do Golfo Pérsico que permita o fluxo livre de energia pelo Estreito de Ormuz. Por esse motivo, o desenvolvimento tem pouco efeito prático no spot de curto prazo.
No médio e longo prazo, a saída implica maior oferta estrutural, sugerindo que a curva forward do Brent deve se mover para um backwardation mais profundo.
Revisão de preços e foco no cenário geopolítico
No momento, o principal driver para os preços continua sendo a geopolítica no Golfo Pérsico e o cronograma para a retomada do fluxo de óleo. Sem sinais de uma normalização iminente, o ING revisou para cima suas projeções de preço.
A instituição agora espera que o ICE Brent atinja uma média de US$ 104/bbl no 2T26 e US$ 92/bbl no 4T26.



