A decisão inesperada dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de abandonar a OPEP/OPEP+ a partir de 1º de maio marca um ponto de inflexão para o mercado de energia. Segundo Michael Wan, analista do MUFG, o movimento foi motivado pela insatisfação com as cotas de produção e pela significativa capacidade ociosa do país.
Fim do suporte da OPEP aos preços?
Embora a saída já fosse discutida internamente, o timing — em meio a conflitos geopolíticos — surpreendeu o setor. Com investimentos pesados em infraestrutura, Abu Dhabi tem potencial para elevar sua produção de 3 milhões para até 5 milhões de barris por dia (mb/day) após a normalização das crises atuais.
O MUFG destaca que as divergências estratégicas com a Arábia Saudita foram determinantes. O grande risco agora é o efeito dominó: se outros membros seguirem o exemplo, a eficácia da OPEP em sustentar um patamar mínimo para os preços será severamente comprometida.
Perspectivas para o mercado
No curto prazo, os impactos diretos são considerados limitados. No entanto, a longo prazo, a análise aponta para um viés bearish. Sem a disciplina de produção do cartel, o mercado de petróleo perde seu principal mecanismo de defesa contra a desvalorização, o que deve manter os preços sob pressão descendente nos próximos anos.



