Rúpia indiana sob pressão: USD/INR avança com petróleo em alta e cautela antes do Fed

A rúpia indiana (INR) retomou sua trajetória de desvalorização frente ao dólar americano (USD) na sessão desta terça-feira. O par USD/INR subiu para a região de 94,46, impulsionado pela resiliência dos preços do petróleo, que continuam a exercer pressão sobre a balança comercial da Índia.

O petróleo WTI opera em alta de 0,6%, negociado próximo a $95,60, aproximando-se da máxima de duas semanas registrada em $97. Como a Índia é um grande importador de energia, a alta nos preços da commodity aumenta a demanda por dólares por parte dos importadores locais, prejudicando o desempenho da rúpia.

Incertezas no Estreito de Ormuz e Geopolítica

A manutenção dos preços elevados do petróleo reflete a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de 20% do suprimento global de energia. Embora o governo dos EUA tenha discutido propostas iranianas para um cessar-fogo permanente e a liberação da via marítima, a Casa Branca ainda não sinalizou uma aceitação formal, mantendo o prêmio de risco geopolítico elevado.

Fuga de Capitais e FIIs

No cenário interno, os Investidores Institucionais Estrangeiros (FIIs) seguem em uma sequência de vendas líquidas no mercado acionário indiano. Nos últimos seis pregões, o desinvestimento somou aproximadamente Rs. 18.291,34 crore. A preocupação de que os custos de energia mais altos possam corroer as projeções de lucros das empresas indianas tem afastado o capital externo.

Expectativas para o Federal Reserve

O foco global desta semana está na decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira. A expectativa é de que as taxas de juros sejam mantidas no intervalo de 3,50%-3,75%. No entanto, o mercado buscará pistas no discurso de Jerome Powell sobre como o choque nos preços de energia e o fechamento de Ormuz podem influenciar a trajetória dos juros nos EUA.

Análise Técnica: USD/INR mira máximas históricas

Do ponto de vista técnico, o USD/INR mantém um viés de alta no curto prazo, sustentado acima da Média Móvel Exponencial (EMA) de 20 dias em 93,53. O Índice de Força Relativa (RSI) em 61 indica um momentum comprador firme, mas ainda longe de condições de sobrecompra extrema.

A resistência imediata está na máxima histórica em torno de 95,20. Um rompimento decisivo acima deste nível colocaria o par em território inexplorado. Por outro lado, um fechamento diário abaixo da EMA de 20 dias poderia sinalizar o início de uma fase corretiva mais profunda.