Moedas asiáticas entre o choque do petróleo e o amortecedor da IA, aponta Commerzbank

Analistas do Commerzbank, incluindo Charlie Lay, Dr. Henry Hao e Moses Lim, argumentam que o conflito no Irã impôs um choque estagflacionário à Ásia, região mais exposta ao fechamento do Estreito de Ormuz. O cenário resultou em revisões altistas para a inflação, enquanto os riscos para o PIB permanecem enviesados para o lado negativo.

Estagflação e pressão no mercado de FX

A guerra gerou um impacto direto nas economias asiáticas, sendo as Filipinas e a Tailândia as mais vulneráveis. Por outro lado, o ciclo de investimentos em Inteligência Artificial (IA) tem servido como um “amortecedor” para os grandes exportadores de eletrônicos, embora o setor sofra com a exposição direta ao Golfo em insumos como hélio e gases especiais.

A maioria dos bancos centrais asiáticos deve manter as taxas de juros inalteradas (on hold), pressionados entre o pico inflacionário e a fragilidade do crescimento. Cingapura e Filipinas são as exceções, já tendo adotado um aperto na política monetária. As moedas asiáticas, que acumulam queda de aproximadamente 2,2% contra o USD desde o fim de fevereiro, seguem sob pressão de depreciação.

Projeções para o Petróleo e Crescimento

O cenário base do Commerzbank projeta que o petróleo Brent atinja uma média de USD 110 até maio, recuando para o patamar de USD 80 no segundo semestre de 2026, assumindo uma desescalada do conflito. Caso a interrupção no Estreito de Ormuz se prolongue, o cálculo econômico mudará materialmente.

Quanto ao PIB, a previsão para a China foi mantida em 4,0%, nível que já se encontrava abaixo do consenso de mercado. Para o restante da região, o impacto varia: exportadores de semicondutores e tecnologia estão melhor posicionados para absorver o choque devido à demanda estrutural de IA, enquanto economias dependentes de importação de energia enfrentam ventos contrários mais severos.