BCE: Commerzbank prevê alta de juros em junho diante de novos riscos inflacionários

Os economistas do Commerzbank, Dr. Jörg Krämer e Bernd Weidensteiner, preveem que o Banco Central Europeu (BCE) manterá as taxas de juros inalteradas na próxima semana. No entanto, a projeção da instituição aponta para uma elevação em junho, condicionada à persistência dos riscos inflacionários e à situação geopolítica no Estreito de Ormuz.

BCE equilibra inflação e baixo crescimento

Embora a manutenção seja o cenário base para a próxima reunião, um aumento de juros não está descartado, especialmente se os efeitos de segunda ordem continuarem a pressionar a inflação no longo prazo. A presidente do BCE, Christine Lagarde, já indicou que a autoridade monetária monitora de perto indicadores de preços e salários.

“Consideramos provável um aumento da taxa de juros em junho, especialmente se o impasse em torno do Estreito de Ormuz continuar, que permanece totalmente bloqueado. Afinal, as memórias do surto inflacionário de 2022 ainda estão frescas”, afirmam os analistas. Dados de PMI que mostram alta nos preços de insumos e vendas corroboram essa visão cautelosa.

Divergência com o mercado

Apesar da expectativa de alta em junho, o Commerzbank adota uma postura menos agressiva que o mercado financeiro, que precifica cerca de duas elevações e meia até o final do ano. Para o banco, indicadores de crescimento fraco representam riscos de baixa para a inflação, o que deve limitar o tightening.

A expectativa é que o BCE realize apenas um ajuste pontual. A visão dos analistas é que os preços do petróleo tendem a recuar após o fim dos conflitos geopolíticos e que a ala dove do Conselho do BCE deve atuar para evitar um ciclo de aperto mais prolongado.