Rainer Guntermann, estrategista do Commerzbank, argumenta que o Banco Central Europeu (BCE) deve optar por uma manutenção equilibrada das taxas nesta semana. A expectativa é que os dados do HICP de abril mostrem uma inflação cheia impulsionada pelos preços de energia, enquanto o núcleo da inflação pode apresentar uma queda temporária.
Embora as projeções atuais, excluindo o cenário severo de choque no petróleo, não exijam claramente novas altas, os riscos não resolvidos no Oriente Médio podem forçar uma movimentação preventiva em junho.
Manutenção equilibrada e o risco de alta em junho
“Novos detalhes sobre os preços ao consumidor de abril serão divulgados esta semana, com dados nacionais a partir de quarta-feira e a prévia do HICP da Zona Euro na quinta-feira”, observa Guntermann.
Segundo o analista, esses números devem confirmar que o repique inevitável na inflação cheia é majoritariamente causado pelos preços de energia. “Isso deve manter o BCE em alerta, mas um aumento de juros já nesta semana parece prematuro, especialmente após as intervenções verbais de membros do BCE e fontes sugerindo a manutenção nas últimas semanas”, afirma.
No momento, as projeções do BCE — fora do cenário de estresse com o petróleo a $145/bbl — não indicam a necessidade imediata de elevação das taxas. No entanto, o Commerzbank ressalta que, diante da crise persistente no Oriente Médio, os riscos de pass-through (repasse de preços) podem ser suficientes para que o BCE realize um “precautionary hike” (alta de precaução) em junho.



