Fed sob pressão: Rabobank projeta manutenção de juros em meio a tensões geopolíticas

O Rabobank, por meio de seu estrategista sênior para os EUA, Philip Marey, analisou as expectativas para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). A projeção central é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha a política monetária inalterada no encontro de 28 e 29 de abril, enquanto o mercado aguarda comentários de Jerome Powell sobre os impactos econômicos do conflito com o Irã.

FOMC em compasso de espera

A expectativa consensual é de manutenção das taxas. No entanto, o Rabobank destaca que o governador Miran pode apresentar um voto dissidente novamente. Durante a coletiva de imprensa, Powell deve ser questionado sobre como os dados econômicos recentes refletem o cenário de guerra e quais as implicações diretas para a trajetória dos juros.

Projeções de cortes e transição na liderança

O banco holandês mantém a previsão de dois cortes de juros em 2026, programados para setembro e dezembro. Contudo, há uma ressalva importante: a entrada de Kevin Warsh como novo Chair do Fed. Warsh poderá tentar convencer o Comitê a realizar mais de um corte, conforme sugerido em projeções anteriores, mas o sucesso dessa estratégia dependerá de dados macroeconômicos fortemente influenciados pelo cenário geopolítico.

“No balanço de riscos, acreditamos que nos próximos meses é mais provável removermos um corte de nossas previsões do que adicionarmos um”, afirma a equipe do Rabobank.

O futuro de Jerome Powell

A reunião de abril pode marcar uma das últimas participações de Powell como presidente do Fed. Caso a confirmação de Warsh sofra atrasos no Senado, Powell poderá atuar como Chair pro tempore em junho. Além disso, investidores buscam clareza sobre sua permanência como membro do Conselho de Governadores após o término oficial de seu mandato em 15 de maio.

Impacto nos Mercados

Enquanto o Fed avalia os riscos inflacionários e geopolíticos, outros ativos sentem o reflexo da incerteza. O par EUR/USD busca estabilidade próximo de 1,1700, enquanto o Ouro sofre pressão vendedora, mas encontra suporte no status de ativo de proteção devido às tensões no Estreito de Ormuz.