Dólar sob pressão: Conflitos no Oriente Médio e Ásia elevam demanda por linhas de swap

Michael Pfister, analista do Commerzbank, detalha como aliados estratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio e na Ásia estão recorrendo a linhas de swap de dólar para mitigar os impactos de conflitos que prejudicam exportações de energia e o turismo. Segundo o especialista, a liquidez global está sob escrutínio, e a resposta do Tesouro Americano será determinante para a estabilidade da moeda.

Linhas de swap e o papel do Tesouro Americano

Recentemente, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, confirmou que diversos países solicitaram acesso a linhas de swap cambial. O interesse de Washington em atender a esses pedidos é estratégico: esses aliados detêm volumes significativos de US Treasuries (títulos do Tesouro), muitas vezes devido ao peg de suas moedas locais ao dólar. Caso enfrentem uma crise de liquidez severa, esses países poderiam ser forçados a liquidar seus títulos, pressionando o mercado de dívida americano.

Historicamente, o Federal Reserve (Fed) atua como o principal provedor de liquidez em momentos de estresse, mas Pfister aponta que, desta vez, o suporte pode vir diretamente do Tesouro via Exchange Stabilisation Fund (ESF). Atualmente, o fundo conta com cerca de US$ 219 bilhões — montante consideravelmente inferior aos US$ 550 bilhões disponibilizados pelo Fed em 2008 ou aos US$ 450 bilhões em 2020.

Riscos para o Dólar no médio prazo

Embora o suporte via ESF seja viável, o Commerzbank alerta que o volume pode ser insuficiente caso o conflito com o Irã se prolongue ou se a crise de liquidez se espalhar por mais aliados. Se o montante disponível não for capaz de conter a demanda, o mercado pode começar a questionar a hegemonia e a resiliência do dólar.

No curto prazo, o impacto no Dollar Index permanece limitado até que detalhes sobre a magnitude da assistência e os países participantes sejam revelados. Contudo, o fato de aliados buscarem socorro após apenas dois meses de conflito sinaliza que a pressão econômica da guerra está escalando mais rápido do que o antecipado.