Moedas da ASEAN: BNY avalia que déficits externos permanecem sob controle

Geoff Yu, estrategista do BNY, ressaltou que a alta nos preços de energia e o estresse no mercado de gás ainda não empurraram as principais economias da ASEAN para déficits externos insustentáveis. O Bank Indonesia (BI) tem focado na defesa da rúpia indonésia (IDR) e no fortalecimento do balanço de pagamentos, enquanto a região, como um todo, ainda apresenta um superávit comercial modesto.

Riscos no balanço de pagamentos e buffers de proteção

A decisão de taxa de juros do Bank Indonesia (BI) veio amplamente em linha com as expectativas. O banco central comprometeu-se com a estabilidade cambial, descrevendo um esforço “total” para manter a resiliência da IDR.

As intervenções continuarão sendo direcionadas, mas o BI enfatizou que o balanço de pagamentos precisa ser reforçado para mitigar os impactos de conflitos externos. As projeções para a conta corrente da Indonésia foram revisadas de um déficit de 0,5% do PIB para 1,3%. Na visão do BNY, todos os mercados emergentes importadores líquidos de energia precisarão endereçar riscos de balanço de pagamentos em suas decisões de política monetária.

Embora as dificuldades da ASEAN sejam conhecidas, os números não são considerados intransponíveis. As principais economias do bloco — Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Filipinas e Singapura — registram um superávit acumulado de seis meses de aproximadamente $25 bilhões. Singapura detém 60% desse montante devido aos seus padrões comerciais específicos.

Ajuste via demanda e política fiscal

O déficit líquido é visto como gerenciável, especialmente em relação aos níveis de reservas internacionais. A preocupação reside mais no ritmo de utilização dessas reservas, o que pode gerar volatilidade no mercado.

O BNY argumenta que, no ambiente atual, as reservas devem ser utilizadas apenas para operações de smoothing (suavização), enquanto a correção do balanço de pagamentos deve ocorrer via ajustes pelo lado da demanda. Medidas fiscais para conter a atividade econômica são vistas como paliativos úteis, embora fujam ao escopo direto dos bancos centrais locais.