Dólar ganha força com rotação de risco e foco nos PMIs dos EUA, aponta ING

Francesco Pesole, analista do ING, observa que a resiliência das ações nos Estados Unidos e a valorização dos preços do petróleo têm direcionado fluxos de capital para longe de moedas de baixo rendimento e de países importadores de energia, favorecendo o dólar e moedas ligadas a commodities (commodity FX). No entanto, com os futuros de ações dos EUA operando em baixa, o ING alerta que o dólar americano (USD) pode se tornar o único vencedor no cenário atual.

Apetite por risco e PMIs no radar do USD

“Balanços corporativos robustos ajudaram as ações dos EUA a manterem a resiliência ontem, apesar dos sinais de reescalada de tensões no Golfo. No mercado de câmbio, isso se traduziu em uma rotação mais acentuada, saindo de moedas de baixo rendimento e importadoras de energia em direção a moedas de beta elevado ligadas a commodities e ao dólar. Contudo, os futuros de ações apontam para uma deterioração do sentimento de risco, aumentando a chance de o USD emergir como o único beneficiado”, afirma Pesole.

Um elemento de alento é que os EUA sinalizam o desejo de retomar negociações rapidamente. Por outro lado, a falta de clareza sobre os planos para a reabertura do Estreito de Ormuz gera incerteza. O ambiente atual ainda aponta para a força do USD e de moedas de commodities, embora estas últimas dependam fortemente da continuidade da resiliência recente dos mercados acionários.

Nesta sessão, os principais eventos macroeconômicos nos mercados desenvolvidos são as divulgações dos PMIs da S&P Global. Embora não tenham o mesmo impacto que o ISM para o dólar, esses indicadores oferecem melhor comparabilidade com a Europa. A expectativa é de que os índices de manufatura e serviços dos EUA apresentem melhora em relação a março.