De acordo com Francesco Pesole, estrategista do ING, o dólar americano tem encontrado suporte limitado, mesmo diante da valorização dos preços do petróleo e da incerteza geopolítica global. A performance do USD tem sido contida pela resiliência dos mercados acionários dos EUA e pelos fluxos típicos de final de mês.
Risco, fluxos e o impacto do FOMC no USD
Teoricamente, o cenário atual deveria favorecer a moeda americana, mas o rali sustentado ainda não se materializou. O ING aponta dois motivos principais para esse comportamento. Primeiro, as ações nos EUA continuam demonstrando força, e as correções em mercados internacionais não foram severas o suficiente para gerar uma fuga em massa para o safe-haven.
Atualmente, o par EUR/USD apresenta um beta mais elevado em relação às bolsas globais do que aos diferenciais de juros ou preços de commodities. Em segundo lugar, os fluxos de rebalancing de final de mês atuam como um entrave para o dólar, dado o desempenho superior das ações americanas em abril.
Perspectivas para o curto prazo
A expectativa é que, assim que os fluxos de fim de mês se dissiparem, os ganhos do USD possam acelerar, especialmente se não houver progressos tangíveis nas negociações geopolíticas no Golfo.
Para a sessão de hoje, o mercado monitora os dados de confiança do consumidor, embora a volatilidade deva permanecer contida. Os investidores adotam uma postura de cautela (wait-and-see) antes da decisão de política monetária do FOMC amanhã e da divulgação de resultados das gigantes de tecnologia (Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta).

