Ouro: Suporte de longo prazo com dólar mais fraco – HSBC

Analistas da HSBC destacam a volatilidade acentuada deste ano, com o ouro oscilando entre 4.405 e 5.450 dólares por onça antes de se estabilizar em torno de 4.800. A prazo, as movimentações devem depender de notícias, porém a perspectiva é de dólar fraco e impulso estruturado para o metal no longo prazo.

Volatilidade, geopolítica e apoios estruturais

A retração reflete forte liquidação diante da força do USD, rendimentos norte-americanos elevados, preços do petróleo em alta, menor desempenho das ações e o conflito em curso no Oriente Médio. Desde a escalada, os mercados precificaram menos de 25 pontos-base de cortes adicionais pelo Fed até o fim de 2026, o que também atua como resistência para o ouro.

No curto prazo, o analista de metais preciosos espera que o ouro permaneça fortemente influenciado por manchetes. O câmbio tende a reagir a mudanças no risco geopolítico, com tensões maiores geralmente fortalecendo o USD e vice-versa.

No longo prazo, porém, a visão é de dólar mais fraco, o que deve favorecer o ouro. Mesmo que os efeitos do mercado de energia persistam, um ambiente pós-conflito pode sustentar o momentum de alta do metal, apoiado por risco geopolítico, incerteza de políticas econômicas, potencial fraqueza do USD, mudanças na ordem global e demanda contínua dos bancos centrais.

A oferta de ouro deve crescer modestamente entre 2026 e 2027, enquanto a reciclagem tende a aumentar de forma mais expressiva após uma resposta ainda contida. Do lado da demanda, preços elevados reduzem compras de joias e moedas, especialmente em mercados emergentes sensíveis a preço e, cada vez mais, em mercados desenvolvidos. Esses movimentos ainda não romperam o rally, mas os riscos aumentariam se a demanda de investimento permanecer baixa por um período prolongado.